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Carola Ponto e Vírgula

Carola Ponto e Vírgula

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Gosto muito de livros deste género, em que apesar de pequeno no tamanho, o valor da informação oferecida é enorme (muita calma, continuamos só a falar de livros).

 

Embora na Babilónia de há 8000 anos atrás, esta história tem muitas semelhanças com a actualidade em temas como finanças, empréstimos, sorte e carteiras vazias. Vamos à aula? (Onde é que vão?! Não fujam! Bem então para os que sobraram...)

 

 

 

De: Mim

Para: Rio Tejo

Data: Num dia triste para o meio ambiente (são tantos, escolhe um)

 

Meu caro Rio Tejo, venho por este meio pedir imensa desculpa pela forma como ultimamente te tratam sempre que passas por este país.

Seria fácil para mim dizer que não tenho ligação nenhuma a essas empresas e que por isso a culpa não é minha e que não tenho nada a ver com aquilo que te estão a fazer.

 

 

         Já que falámos de como foi o meu nascimento, abordemos agora outra brincadeira dos meus pais. Decidem eles chamar-me Nuno Filipe Ramos Carola. FIca fácil de perceber que com um nome assim se avizinham problemas. Problemas é um eufemismo, o que eles causaram foi um verdadeiro transtorno.

         Começa logo em pequeno e quando ia pela mão da minha avó e perguntavam as outras velhas (eu gosto de chamar velha, idosa parece um insulto):

         — “Então e como é que se chama este lindo menino?”

         Para início de conversa nota-se bem que a visão delas já teve melhores dias! Posto isto eu dizia o meu nome e lá vinha a reacção:

         — “Ah… (sim aquele “Ah” de quem não percebeu nada, mas não quer dar a entender isso), é bonito sim senhor…”

 

 

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         Foi graças a uma prenda de natal que fiquei a conhecer a obra de Pedro Chagas Freitas. E que bela prenda foi! O livro de então era “Eu Sou Deus” e o natal era o de 2016. No Janeiro seguinte já sabia que não podia ficar por ali e pesquisei o que mais havia deste autor. Dei de caras com este “In Sexus Veritas”. Ganhou logo o título de “Maior Calhamaço Lá de Casa”.

         Dizer que temos de tudo se calhar é um exagero ou talvez até nem seja. Desde logo pelas personagens presentes: Um homem com poderes extra-sensoriais, um assassino artista, duas prostitutas (uma de corpo e outra de pensamentos), um trolha homossexual, um humorista deprimido e talvez o mais improvável de todos: um futebolista filósofo.

         Como se tudo isto não fosse já suficiente ainda temos o autor a brincar com as palavras entre definições díspares de amor e um acontecimento, à primeira vista, trágico. As personagens vão-se interligando ao longo da história e aquilo que ao início parecem ser histórias independentes acabam por se cruzar de várias formas.

         Se Pedro Chagas Freitas alguma vez tiver uma crise de ideias, esqueçam, o mundo vai acabar e já estamos nós, os humanos normais, todos senis. A forma como consegue no meio de toda a confusão que cria com o enredo, com as personagens ou com o jogo de palavras, chegar ao fim e tudo aquilo fazer sentido e ser ao mesmo tempo divertido à brava, é genial e uma das imagens de marca deste monstro da escrita (nota-se que sou fã?!).

         Gostei muito deste livro e passei pelas suas mais de 1000 páginas a grande velocidade. Reconheço que tenha um tamanho intimidatório, e é por isso que aconselho a lerem um livro mais pequeno deste autor e depois, se gostarem, mandarem-se de cabeça a este calhamaço de boa escrita.

 

Digam de vossa justiça. Conhecem o autor? Já leram esta obra? Ou outra qualquer dele? Comentem, partilhem e boas leituras.  

       

 

De: Mim

Para: A pedra mais preciosa da minha vida

Data: Antes de hoje, mas somente para hoje

 

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Num dia como este, faltam-me as palavras e nem sei bem por onde começar. Já são tantos anos e outros tantos milhares de momentos juntos, que seja lá o que for aqui escrito, será sempre uma ínfima parte daquilo que sinto por ti.

Acho que aquilo que mais me surpreendeu no meio desta situação toda, é que apesar de já nos conhecermos há muito, foi só de há uns anos para cá (e não me perguntes quantos, sabes que sou péssimo com datas) é que te olhei com outros olhos e a partir desse momento tudo mudou, arrebataste-me até ao fundo do meu ser.

Desde esse dia eu acredito que, tal como agora a música diz, é um amor para a vida toda.

 

 

De: Mim

Para: Carnaval

Data: No exacto momento da escrita

 

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Querido Carnaval sabes bem as razões pelas quais não sou o teu maior fã, mas não deixo de ficar contente por, apesar dessa idade milenar já bem avançada, ainda teres essa vitalidade toda e compareceres mais uma vez neste Fevereiro para trazer animação, máscaras e samba com fartura.

Mas deixa que te diga, essa receita já está ficar um bocado desactualizada.

Tirando o samba (que é sempre bom de se ver), que mais ofereces tu?! Folia, máscaras e palhaços?!

 

 

         Ainda agora entrámos em 2018 e já está aí à porta o Carnaval.

         É o samba no pé (não é o caso destes tijolos), os desfiles e a folia. São os palhaços, as matrafonas, os balões de água e as bombinhas de mau cheiro. É a festa durante três dias que divertem miúdos e graúdos.

         Vamos então falar dos miúdos. Ou melhor, falar de como este graúdo, que aqui vos escreve, vivia o Carnaval enquanto petiz.

         Vocês nem imaginam a antecipação que era pela chegada do Carnaval na casa da Dona Isalinda. A Dona Isalinda é/era a mãe do meu pai e por arrasto minha avó. Mulher do campo, e de muito trabalho, ostentava dois braços que pareciam troncos (não que me lembre de alguma vez ter levado uma paulada deles, mas digamos que metia respeito).

         Mal chegados a Janeiro e já aquelas mãos de seda trabalhavam a todo o gás nos disfarces que o meu irmão e eu iríamos usar. O problema de tudo isto era entrar em depressão logo no início do ano ao saber que dali a um mês tinha que andar a brincar ao carnaval vestido ou de sevilhana ou de peixeira (lembra-se que já vos falei dos troncos da minha avó?! Por isso, sim, TINHA QUE andar assim no carnaval).

 

 

Olá estreamos hoje aqui no blogue “A Vida dum Carola”. Bem-vindos, sintam-se a vontade, é como se tivessem em casa.

A minha vida até agora foi cheia de peripécias e de relacionamentos estranhos. Comecemos logo no dia do meu nascimento e com a minha mãe como protagonista.

Corria o ano de 1987, mais precisamente no dia 29 de Maio. A minha mãe, desgraçada, já carregava aqui o je há nove meses e nesse dia fomos para a maternidade (eu muito contra minha vontade. Sei lá, já estava a prever qualquer coisa).

Chegados lá, e segundo relatos que recolhi, a minha mãe disse:

— Senhor doutor já não aguento mais isto (por “isto” entenda-se: eu), ajude-me que isto (eu novamente) de hoje não passa!

E não passou. Quer dizer eu passei, não sei ao certo por onde, mas passei. O dia é que ainda não tinha passado quando eu passei. Nota-se que a minha mãe é extremamente focada nos seus objectivos. Nasci a 29 de Maio de 1987 eram 23h55 (esta hora dava um belo nome dum talk-show de humor, RTP pensem nisso).

 

 

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De: Mim

Para: 2018

Data: Neste dia

 

         Querido 2018, eu sei que ainda agora chegaste e ainda estás a conhecer os cantos à casa, mas vou-te já explicando aquilo que te espera e aquilo que os teus antecessores passaram e que muito provavelmente também tu irás passar.

         Os primeiros dois meses vão ser uma maravilha. Logo no primeiro dia encheram-te de mimos e promessas. Vai ser maravilhoso: Felicidade, dinheiro, saúde para todos e paz no Mundo (esta última já deve estar em desuso).

         Mas quando chega a Março a conversa já começa a mudar. As dietas prometidas com a tua chegada ainda não arrancaram e talvez já nem arranquem. A atrapalhar muito isso está a falta de exercício e aí, vais ver, a culpa vai ser tua, caro 2018 (e é melhor ires-te habituando). Chegas e trazes contigo um frio descomunal que não há boa vontade que resista.

         Não vais argumentar, como outros Anos antes de ti, que a culpa é das pessoas, que não tem realmente vontade de se esforçar para cumprirem aquilo que elas mesmo prometeram?! Deixa-te disso, ainda és demasiado novo, respeita quem já cá estava antes de ti.

 

  

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         Devo confessar que a única razão da compra deste livro foi por ter escrito na capa “Prémio Nobel”. Concordamos que para nós, viciados em leitura, é razão mais que suficiente para valer o nosso investimento.

         Depois o tema “Chernobyl”: o que realmente sabia eu sobre isso?! Basicamente sabia ser o local onde tinha acontecido um desastre nuclear.

         Como é que esta obra ia dar “voz” ao tema não fazia a mínima ideia. Seria um romance baseado em factos verídicos?! Não, nem por sombras! Eram os relatos na primeira pessoa das vítimas envolvidas nesta tragédia.

         Foi de relato em relato que se apoderou de mim um sentimento ambíguo. O livro é bom?! Muito! A escrita?! Melhor ainda. O conteúdo?! Desconcertante.

         É preciso ter estômago para passar pelas mais de 300 páginas desta obra. A curiosidade em torno de mais obras desta autora aumenta na mesma proporção que cresce o medo de não aguentar mais nenhuma obra deste calibre.

         Os relatos doem-nos. Deixam-nos tristes, estremecem-nos. E a mim particularmente deixa-me a pensar como é que somos tão insensíveis ao ponto de tratar assim Seres Humanos, como nós, quase como se fossem menos que lixo.

          A forma como se pensa na energia nuclear (e atenção que nem perto estou de ser entendido ou especialista) como algo viável e que todas as medidas de segurança utilizadas vão ser suficientes para prevenir futuras catástrofes, só demonstra que não aprendemos nada com os nossos erros. Até porque aqueles que tomam as decisões estão sempre longe do epicentro destes desastres.

         “Tá tudo controlado!” — Dirão eles. Até deixar de estar…

         É um livro poderosíssimo e de leitura obrigatória. No entanto é bom que se previnam pois a jornada ao longo destas páginas é dura e pesada, e demonstra de forma crua e real aquilo porque todos os que viveram a tragédia passaram e como ainda hoje sofrem as consequências de um erro que não foi deles. Bom e mau demais ao mesmo tempo (se é que isto é possível).