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Carola Ponto e Vírgula

Carola Ponto e Vírgula

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De: Mim

Para: 2018

Data: Neste dia

 

         Querido 2018, eu sei que ainda agora chegaste e ainda estás a conhecer os cantos à casa, mas vou-te já explicando aquilo que te espera e aquilo que os teus antecessores passaram e que muito provavelmente também tu irás passar.

         Os primeiros dois meses vão ser uma maravilha. Logo no primeiro dia encheram-te de mimos e promessas. Vai ser maravilhoso: Felicidade, dinheiro, saúde para todos e paz no Mundo (esta última já deve estar em desuso).

         Mas quando chega a Março a conversa já começa a mudar. As dietas prometidas com a tua chegada ainda não arrancaram e talvez já nem arranquem. A atrapalhar muito isso está a falta de exercício e aí, vais ver, a culpa vai ser tua, caro 2018 (e é melhor ires-te habituando). Chegas e trazes contigo um frio descomunal que não há boa vontade que resista.

         Não vais argumentar, como outros Anos antes de ti, que a culpa é das pessoas, que não tem realmente vontade de se esforçar para cumprirem aquilo que elas mesmo prometeram?! Deixa-te disso, ainda és demasiado novo, respeita quem já cá estava antes de ti.

 

        Em Maio a vontade de procurar por um novo emprego também já foi por água abaixo na maioria dos casos. Só procurar já é, em si mesmo, uma trabalheira de todo o tamanho. Imagina agora isso tudo depois de ter estado fechado no trabalho durante oito horas no mínimo.

         Acho que também já está na altura de um Ano, e podes ser tu 2018, a dar-nos um dia com quarenta horas, para trabalharmos vinte, descansar dez e passar outras dez a arranjar desculpas para te por em cima por causa da nossa falta de compromisso para mudar de vida.

         Assim que chegar o Verão até vais ficar com as orelhas a arder.

         “Chiça os dias passam a correr quando estou de férias. No trabalho não é nada assim...”— Dirá muita gente entre Junho e Setembro.

         “O ano já vai a meio e ainda não fiz nenhuma das minhas resoluções de Ano Novo”.

         Na altura em que ouvires isto já estás longe de ser um “Ano Novo”, já serás mais um “Ano de meia-idade”, mas a vida é mesmo assim e a tua, infelizmente para ti, é demasiado curta e carregada de culpas alheias.

         Não desanimes, quando chegares ao teu último mês de vida vais ver que tudo muda drasticamente por 30 dias. As pessoas já são todas boazinhas outra vez, já não criticam a felicidade alheia, e paz no Mundo… bem essa fica para o próximo ano. As pessoas vão andar tão ocupadas a comprar prendas para o Natal. Sim esse dia em que se comemora o nascimento de alguém, mas que também ninguém se lembra de que dali a poucos dias outro alguém morre, neste caso tu.

         Não te preocupes que no último dia, todos se vão lembrar de ti, e na tua despedida, todos te homenagearão: Será um Mundo inteiro a festejar a tua morte e o nascimento do teu sucessor. É assim a vida, difícil, até para os Anos, como tu.

         Da minha parte te digo caro 2018, a única coisa que lamento com a tua chegada, e ainda mais rápida partida, é que um antecessor teu, o 2008, já tenha sido há dez anos. O que é que foi assim tão bom assim em 2008?! Não faço ideia, mas 2008 parece que entrou por aquela porta ontem e hoje já estás aqui tu e não tarda nada também tu já te foste. Impressionante como passaram dez de vocês assim tão depressa!

         Espero que gostes da estadia, e que mesmo nos piores momentos que te proporcionarmos não leves isso muito a peito, não é pessoal, é anual, nós fazemos isso a todos os Anos.

         Diverte-te, para o ano há mais…