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Carola Ponto e Vírgula

Carola Ponto e Vírgula

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Olá a todos, bom fim-de-semana e bem-vindos a mais uma opinião aqui no blogue! O livro de hoje tem sido muito referenciado nos últimos tempos, embora tenha sido originalmente editado em 1985, ganhou nova vida desde que deu origem a uma série. Falo-vos de “A História de Uma Serva” (título original “The Handmaid’s Tale”) escrito por Margaret Atwood e edição da Bertrand Editora.

Um livro muito comparado a este é o “VOX” de Christina Dalcher. Ambos são distopias onde as mulheres simplesmente perdem todos os seus direitos, sendo que em “VOX” as mulheres andam com pulseiras que dão choques assim que ultrapassarem o limite diário das 100 palavras, aqui neste livro de Margaret Atwood as mulheres férteis perdem os seus direitos, virando servas de uma elite estéril com o objectivo de engravidar dos seus Comandantes. Ambas se passam nos Estados Unidos da América (e eu a pensar que o Trump era das piores coisas criadas lá…). Eu acho que fiz o percurso contrário à maioria que leu primeiro “A História de Uma Serva” e depois “VOX” e muito provavelmente terei uma classificação contrária da maioria dos leitores já que gostei mais do “VOX” do que deste “A História de Uma Serva”.

Mas não se vão já embora, que ainda nem comecei a falar do livro!

 

“Uma figura, de vermelho com abas brancas em redor do rosto, uma figura como a minha, uma mulher indistinguível de vermelho com um cesto, vem pelo passeio de tijolo na minha direção. Alcança-me e espreitamos o rosto uma da outra, descendo os olhos pelos túneis brancos de tecido que nos encerram. É a mulher certa.

— Bendito seja o fruto — diz-me ela, a saudação estabelecida entre nós.

— Que o Senhor abra — respondo, a réplica estabelecida.

Viramo-nos e caminhamos juntas, deixando para trás as casas grandes, em direção à parte central da cidade. Só nos é permitido ir lá aos pares. É supostamente para nossa proteção, embora a ideia seja absurda: já estamos bem protegidas. A verdade é que ela é a minha espia, tal como eu sou a dela. Se uma de nós se escapar como areia por entre os dedos devido a alguma coisa que aconteça durante uma das nossas caminhadas diárias, serão pedidas contas à outra.

Esta mulher é a minha companheira há duas semanas. Não sei o que aconteceu à anterior. Certo dia não estava lá, pura e simplesmente, e estava esta em seu lugar. Não é o tipo de coisas acerca do qual se faça perguntas, porque geralmente as respostas não são das que queiramos ouvir. De qualquer modo, não haveria resposta.”

 

 

 

 

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Olá a todos, espero que tenham sobrevivido ao Dia do Livro e a todas a promoções desse dia. Eu ainda estou em recuperação, tentei resistir e aguentar, mas não deu! Eu sei, sou um orgulho para os departamentos de marketing das lojas e livrarias, já para a minha carteira… ela diz que sou uma desilusão e que devia procurar ajuda! Por isso, ajudem-me: Não fui o único, pois não?!

Agora vamos ao assunto que nos traz aqui hoje: a minha opinião sobre o livro do mês que escolhi para o “The Bibliophile Club”. Com Thrillers e Mistério para o mês de Abril, fiquei com um grave problema: como é um dos meus temas favoritos, não se adivinhava uma escolha fácil e rápida no meio de tantas hipóteses que tinha em casa. Foi então que graças a uma sugestão nos comentários do grupo, que acabei por escolher um livro que tardava em lê-lo: “Os Homens que Odeiam as Mulheres”, o primeiro livro da saga Millennium de Stieg Larsson, edição D. Quixote.

 

 

“Vanger baixou os olhos para as mãos, e então bebeu um golo de café, como se precisasse de uma pausa antes de conseguir finalmente falar do que queria.

— Antes de começar, Mikael, gostaria de chegar a um acordo contigo. Quero que me faças duas coisas. Uma é um pretexto, a outra é o verdadeiro objectivo.

— Que espécie de acordo?

— Vou contar-te uma história em duas partes. A primeira é a respeito da família Vanger. É o pretexto. É uma história comprida e sombria, e eu vou tentar cingir-me à verdade nua e crua. A segunda parte da história tem que ver com o meu verdadeiro objectivo. Provavelmente, vais achar que uma parte desta história é… louca. O que quero de ti é que me ouças… que ouças o que quero que faças e também o que ofereço… antes de decidires se aceitas ou não o trabalho.”

 

 

 

!

 

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Olá a todos, como estão esses preparativos para a Páscoa?! Eu já estou em estágio para entrar em modo “amêndoas, ovos e outros doces”, tanto é que há 5 minutos que não como nada! Mas isso não tem nada a ver com o que vamos falar agora.

Hoje é dia de falar do livro escolhido para o Net Book Club do mês de Abril: “Dez Anos Depois” de Liane Moriarty editado pela Editorial Presença. A criadora deste projecto decidiu (sempre pedindo a nossa ajuda, claro) refrescar este clube literário a partir do próximo mês de Maio. Agora além de escolhermos o livro do mês ainda partiremos numa viagem literária pelos quatro cantos deste Mundo redondo!

Vamos lá então falar deste “Dez Anos Depois” que tem como título original “What Alice Forgot”. É só a mim que esta discrepância entre título original e título traduzido (não só neste caso) faz uma confusão enorme?! Mas que todo o mal fosse esse…

Temos então a nossa personagem principal, Alice, que depois de uma queda no ginásio perde a memória dos últimos dez anos. Ora isto não seria um problema tão grave não fosse o caso de a vida dela estar totalmente diferente do ano 1998 em que julgava estar quando recuperou os sentidos após a queda. Nesse ano estava grávida da sua primeira filha e muito apaixonada pelo marido. Em 2008 estava à beira do divórcio e era mãe de três crianças.

 

“— Faça-me a vontade, Alice, e diga-me o nome do nosso ilustre primeiro-ministro — pediu George.

— John Howard — respondeu obedientemente. Esperava que não houvesse mais perguntas sobre política. Não era o seu forte. Nunca deixava de ficar suficientemente aterrorizada.

Jane emitiu um som estranho de escárnio e alegria.

— Oh. Ah. Mas ele ainda é o primeiro-ministro, não é? — Alice estava mortificada. As pessoas iam gozá-la por causa aquilo nos próximos anos. Oh, Alice, não sabes quem é o primeiro-ministro! E se ela tivesse perdido a eleição? — Mas eu tenho a certeza que ele é o primeiro-ministro.

— E em que ano estamos? — George não pareceu muito preocupado.

— Mil novecentos e noventa e oito — respondeu Alice prontamente. Sentia-se confiante a respeito daquilo. O bebé nasceria no ano seguinte, em 1999.

Jane tapou a boca com a mão. George ia para falar, mas Jane interrompeu-o. Ela pousou uma mão no ombro de Alice e olhou para ela atentamente. Os olhos estavam arregalados de excitação. Pequenas bolas de rímel pairavam sobre as extremidades das pestanas. A combinação de desodorizante de alfazema com o hálito a alho era bastante avassaladora.

— Quantos anos tens, Alice?

— Tenho vinte e nove anos, Jane — Alice estava irritada com o tom dramático de Jane. Onde queria ela chegar? — A mesma idade que tu.

Jane endireitou-se e olhou para George Clooney triunfante.

— Acabei de receber um convite para o quadragésimo aniversário dela — disse.

Aquele foi o dia em que Alice Mary Love foi ao ginásio e fez desaparecer por acaso uma década da sua vida.”

 

 

 

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Olá juventude dos 0 aos 100, bom fim-de-semana e vamos lá apresentar o tema de Abril no The Bibliophile Club, isto depois de um mês de Março de extremos: o livro que escolhi revelou-se uma desilusão, mas o desafio lançado pelas meninas de falar sobre as mulheres da nossa vida, embora tenha sido desgastante emocionalmente, foi muito bom e fiquei contente com o resultado dos textos, e com os comentários e apoio que recebi. Muito obrigado!

Agora em Abril voltamos “à normalidade” e com um tema que adoro: Thrillers e Mistérios!

Sendo dos meus favoritos o leque de escolha era enorme, mas quando nos comentários a Marisa do blogue Little Dream sugeriu a Saga Millennium de Stieg Larsson, fez-se luz e decidi logo que ia começar finalmente esta saga que andei cheio de pressa para a comprar (e ainda nem havia o quinto livro) e sabe-se lá porquê nunca a comecei. É isto o que mais me faz acompanhar este grupo literário, a interacção entre nós, entre os nossos gostos e, no meu caso, poder ir revisitar o fundo da estante em busca daqueles livros que já esperam há demasiado tempo para serem lidos. Vamos então à sinopse do primeiro livro da saga, “Os Homens que Odeiam as Mulheres”, edição D. Quixote.

 

 

SINOPSE

“O jornalista de economia Mikael Blomkvist precisa de uma pausa. Acabou de ser julgado por difamação ao financeiro Hans-Erik Wennerstrom e condenado a três meses de prisão. Decide afastar-se temporariamente das suas funções na revista Millennium. Na mesma altura, é encarregado de uma missão invulgar. Henrik Vanger, em tempos um dos mais importantes industriais da Suécia, quer que Mikael Blomkvist escreva a história da família Vanger. Mas é óbvio que a história da família é apenas uma capa para a verdadeira missão de Blomkvist: descobrir o que aconteceu à sobrinha-neta de Vanger, que desapareceu sem deixar rasto há quase quarenta anos. Algo que Henrik Vanger nunca pôde esquecer. Blomkvist aceita a missão com relutância e recorre à ajuda da jovem Lisbeth Salander. Uma rapariga complicada, com tatuagens e piercings, mas também uma hacker de excepção. Juntos, Mikael Blomkvist e Lisbeth Salander mergulham no passado profundo da família Vanger e encontram uma história mais sombria e sangrenta do que jamais poderiam imaginar.”

 

 

Com esta sinopse recheada de nomes estranhos e uma busca a um desaparecimento com quase quarenta anos, só posso esperar que daqui saia mais uma boa aventura, recheada de mistérios mesmo como eu gosto, até porque tenho os outros livros da saga a chorarem por serem lidos!

Devo começar esta leitura já neste fim-de-semana e estou ansioso para ver se este livro corresponde a todas as expectativas e recomendações que tenho lido sobre ele. E vocês, que livro escolheram para este mês?! Já leram a saga Millennium?! Qual a vossa opinião?!

Mais uma vez obrigado, comentem e até à próxima!

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Olá a todos, hoje é dia de iniciar, finalmente, o “José Rodrigues dos Santos Challenge”. Não tem sido fácil conciliar esta minha ideia com outras leituras e clubes literários, mas espero a partir de agora, conseguir ler mais livros e assim ir completando este desafio.

Não sei se já disse (pelo menos nunca mais de uma centena de vezes) foi graças a José Rodrigues dos Santos e ao seu “Mão do Diabo” que toda a minha paixão pela leitura nasceu. Sendo assim este desafio serve para diminuir a minha lista de livros dele que ainda estão por ler.

Comecemos então com este “Sinal de Vida”, edição já habitual da Gradiva. Nesta história voltamos a acompanhar mais uma aventura do nosso Tomás Noronha, que começa exactamente onde terminara “Vaticanum”. Foi uma ligação simples, mas muito inteligente, ainda por cima quando todo o tema desta nova história se foca na vida extraterrestre.

 

“Percebendo a pergunta, o responsável do Allan Telescope Array bebericou um trago do café que trazia no mug e respirou fundo.

“Ah, eles.

“Sim, onde estão? O universo é enorme e muito antigo. Mais de treze mil milhões de anos. Ora aqui na Terra a vida precisou de uns três a quatro mil milhões de anos para desenvolver uma inteligência tecnológica. Uns dez mil anos bastaram para os seres humanos chegarem à Lua. A tecnologia está sempre a avançar e o progresso tem uma taxa de crescimento exponencial. Há um século as pessoas ainda usavam o telégrafo, a principal fonte de energia era a lenha e o carvão, e viajava-se a cavalo ou em coches. Agora estamos em rede pela Internet, temos telemóveis com GPS, há cidades com milhões de pessoas iluminadas por energia nuclear e vamos para toda a parte de automóvel ou de avião. Se isto tudo aconteceu num único século, Leo, diga-me como será daqui a um milénio ou um milhão de anos.”

“O céu é o limite.”

“O desenvolvimento será incrível. Ter-nos-emos decerto já espalhado por algumas estrelas. Se ainda existir, daqui a um milhão de anos a humanidade será irreconhecível.”

“Isso é garantido. E então?”

“Pense na dimensão do universo, Leo. Só a nossa galáxia tem quatrocentos mil milhões de estrelas, talvez mais, e é apenas uma entre milhões e milhões de galáxias. Partindo do princípio da mediocridade, não somos especiais e a nossa situação é comum no universo, portanto deve haver milhões e milhões de planetas com vida por toda a parte. Imaginemos, numa estimativa muitíssimo conservadora, uns dez ou vinte mil planetas onde a vida apareceu e se desenvolveu como na Terra, só que um ou dois mil milhões de anos mais cedo que aqui. Em quatro mil milhões de anos essa vida pode evoluir no sentido de uma espécie capaz de viajar no espaço, exatamente como nós. No fim de contas, todos os pardais nascem num ninho mas vem o dia em que o abandonam. Chegará o momento em que essas civilizações extraterrestres sairão dos seus planetas, seja por mera curiosidade, seja porque esses planetas se tornarão inabitáveis como daqui a uns milhões inevitavelmente acontecerá à Terra. Estou certo?”

O rapaz andar a estudar a lição, pensou Leonard, divertido. Os dados factuais eram corretos e o raciocínio impecável.

“Certíssimo.”

“O que poderá fazer uma civilização que tenha mil milhões ou dois mil milhões de avanço sobre nós?”

“Bem… pode ir toda a parte, suponho eu. Com dois mil milhões de anos de avanço sobre nós, uma civilização extraterrestre tem decerto capacidade para desenvolver tecnologia formidável, tão avançada que a nós nos parecerá magia pura.”

 

 

 

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Olá a todos. Hoje venho falar da minha expectativa sobre o livro escolhido no Net Book Club para o mês de Abril. A votação este mês foi diferente e até tivemos que ir a segundo round para escolher o vencedor do mês: "Dez Anos Depois" de Liane Moriarty editado pela Editorial Presença. 

Antes de mais, dizer que tenho gostado de participar neste clube literário, embora nunca tenha participado na discussão no directo no Instagram! Existem duas razões para isso: ou estou a trabalhar ou estou cansado do trabalho e estou a dormir! Eu sei que isto para a Cláudia d'A mulher que ama livros (mãe de quatro, dois deles gémeos de meses) não é desculpa, mas eu sou homem, dêem-me um desconto! Mas tirando isto, tenho gostado dos livros que temos escolhido, parecem sempre superinteressantes, mas por alguma razão, ainda não houve nenhum que me arrebatasse (nota: eu não participei desde o início), talvez até pela expectativa ficar demasiado alta com as sinopses que me deixam logo com água na boca... vamos ver como corre este mês! Comecemos então pela sinopse.

 

SINOPSE: 

 

Quando, aos 39 anos, Alice Love dá uma aparatosa queda numa aula de dança, a última década da sua vida apaga-se-lhe por completo da memória. Sente-se novamente com 29 anos, apaixonadíssima pelo marido e à espera do primeiro filho. Mas, claro, há um pequeno problema: tudo isso se passou há dez anos. 

No presente, Alice é mãe de três filhos, enfrenta um difícil processo de divórcio e está de relações cortadas com a irmã, que adora. À medida que recupera as lembranças do passado, Alice vê-se confrontada com as escolhas erradas que fez ao longo de toda uma década e com os seus resultados. 

Conseguirá ela reencontrar a mulher que foi na fase mais feliz da sua vida? 
Um romance que nos leva a reflectir sobre o que aconteceria se, de repente, perdêssemos os dez anos mais importantes da nossa existência.

 

EXPECTATIVA:

 

Não é um tema tão abrangente como em "Imortalidade" ou tão extremo como no  "VOX", mas ainda fiquei logo a pensar como seria se isto fosse comigo, imaginem: se por uma razão qualquer perdessem todas as vossas memórias dos últimos dez anos... Se calhar alguns de nós não se importariam de apagar uma década da memória, mas Alice passa de uma mãe de três filhos e um processo de divórcio para a Alice da década anterior ainda muito apaixonada pelo seu marido e grávida do seu primeiro rebento! Em dez anos muita coisa muda e espero que este livro me mantenha colado à nova vida desta mulher na actualidade com uma memória dez anos atrasada. E vocês gostaram da premissa do livro?! Já leram?! Vão participar?! Comentem aí e até à próxima! 

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Olá, hoje é o último dia do mês e a última oportunidade para terminar em beleza o desafio de falar das mulheres das nossas vidas, lançado pelo The Bibliophile Club! Como eu previa, não foi um assunto nada fácil de abordar, mas valeu muito a pena porque também dei a conhecer uma parte importante da minha vida, até àqueles que já me conhecem pessoalmente. O apoio que recebi nos comentários foi muito bom e por isso o meu muito obrigado.

Vamos então fechar este desafio com a última mulher da minha vida. Não é a última na classificação, porque essa classificação nem existe, mas sim é a que cronologicamente ganhou importância mais tarde.

Apresento-vos a Dona Ricardina. A Dona Ricardina é a minha tia, irmã da minha avó Isalinda. A minha tia foi sempre uma presença assídua na casa da minha avó, até porque vivem na mesma rua (nesta rua tenho três tias, é dose!). A minha tia nunca foi mãe, mas não é por isso que nunca deixou de estar rodeada de crianças. Lembro-me de em criança ir para casa dela brincar só porque sim, sem razão nenhuma. Os miúdos agora precisam sempre de uma razão para largarem os pais (às vezes a razão são os próprios pais, que acham que só eles é que sabem cuidar dos seus filhos). Eu ia só porque sim, e para brincar com o quê?! Com molas de estender a roupa (sim, eu sei, tenho uma imaginação fértil).

A minha tia sempre acompanhou de perto o crescimento dos seus sobrinhos todos, onde houver um sobrinho, ela lá está. Não é preciso “parir” para ter este amor, carinho e dedicação! E o mais estranho é que ela faz isto como se não fosse nada, nem como um dever ou obrigação, nem como algo fora do normal, mas é!

Além de tia a tempo inteiro, a Dona Ricardina é uma devota da igreja e até canta lá no coro! Por isso, não é de estranhar que quando fiz a catequese e ia ser baptizado, eu lhe tenha pedido para ser a minha madrinha de baptismo, o que obviamente ela aceitou.

E quando a minha avó Isalinda faleceu, ela fez aquilo que as madrinhas fazem, chegou-se à frente para me apoiar a partir dessa altura.

Engraçado, e também uma prova de que ela faz tudo sem segundas intenções, é que numa conversa qualquer e já nem sei bem como eu disse algo como: “as pessoas gostam de casamentos e baptizados, mas por causa da festa, porque depois nem os padrinhos sabem o que realmente significa isso de ser padrinho ou madrinha. Mas a minha sabe e segue a ideia à risca!”, ao que ela responde: “Isso é verdade, mas quem é que é a tua madrinha?”. Óbvio que quando eu disse “é você” ela riu-se, “vê bem que nem me lembrava”!

A minha tia Ricardina é das melhores pessoas que este mundo já viu, acreditem. Adora histórias e por isso também gosta de ler e muitos dos livros que tenho também ela acaba por os ler.

Já eu adoro ouvir as histórias dela, de um tempo antigo, de grandes dificuldades que ela e todos os meus tio e avó passaram. Mas ela diz sem ponta de vergonha: era miséria, mas era feliz! As coisas de que ela fala, algumas até a mim, já parecem irreais tendo em conta a evolução que tivemos até agora! Muitas das coisas que ela relata daquele tempo são quase surreais que davam um livro. Quando penso nisso nem consigo imaginar como será o meu futuro quando tiver a idade dela!

Pronto e chegámos ao fim deste desafio, que para mim foi isso mesmo: desafiante. Espero que tenham gostado e até à próxima!

 

Fã de novelas, a Dona Ricardina adorou esta novela

quase tanto como adorou esta música!

 

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Olá a todos. Hoje venho falar da minha última leitura do mês de Março, o meu primeiro livro de Jo Nesbo, “Sangue na Neve”, edição D. Quixote.

Esta história é relata por um assassino, que se vê metido numa grande confusão, quando o seu chefe o contrata para mais um trabalho. Até aqui nada de estranho, não fosse o patrão ter encomendado a morte da própria mulher! Como se isso não bastasse Olav, o nosso assassino, decide não fazer aquilo para que foi contratado, quer dizer foi contratado para matar e matou, não matou foi o alvo pretendido, a mulher do patrão, por quem se apaixonou.

 

“A neve dançava como algodão à luz dos postes de iluminação. Sem rum, incapaz de decidir se queria elevar-se ou cair, deixando-se simplesmente conduzir pelo vento infernal e gelado que varria a grande escuridão que envolvia a fiorde de Oslo. Juntos giraram, vento e neve, rodopiando sem parar, nos espaços escuros entre os armazéns do cais, todos fechados à noite. Até que o vento se fartou e largou a parceira de dança junto à parede. Aí, a neve seca e varrida pelo vento, assentava em redor dos sapatos do homem que eu acabara de atingir a tiro no peito e no pescoço.”

 

 

 

 

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A minha avó e a minha sobrinha (bisneta)!

 

 

Olá a todos, bem-vindos a mais um texto para o desafio lançado para o mês de Março pelas meninas do The Bibliophile Club. Como já previa, falar a sério não tem sido fácil, mas como eu às vezes devo ser masoquista, volto hoje para falar de mais uma Mulher da minha vida. Preparem-se, eu já trouxe os lenços, não vai ser nada fácil porque hoje é dia de falar DA Mulher da Minha Vida: A Dona Isalinda.

A Dona Isalinda é a minha avó paterna e durante a minha infância ela foi sempre uma avó das antigas, daquelas que só estava bem com os netos pela mão, babada e orgulhosa. Desde que me lembro de ser criança, já a Dona Isalinda me traumatizava sempre que vinha o Carnaval.

Como se isso não fosse suficiente, ainda achou que seria engraçado por os dois netos no rancho folclórico! Quando eu “acordei para a vida” aquilo já fazia parte da minha agenda, agora não me perguntem como é que dançava porque já não me lembro, mas tenho para mim que não devia ser bom tendo em conta a minha coordenação motora actual (ao nível de um bêbado em coma alcoólico)! Desse tempo lembro-me ainda de ser tão magrinho, que para a roupa não me cair toda enquanto dançava, a minha avó prendia as meias aos calções com uns alfinetes… às vezes também prendia a perna aos alfinetes, não me fosse saltar a perna fora!

 

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Aquelas meias e calções tão um mimo!

Já as pernas, imagino...

 

 

Depois disto, é o tempo que passa a correr e já na adolescência, o meu avô adoeceu, ficou acamado e o pai e a minha madrasta acharam que a minha avó poderia precisar de ajuda e aí decidimos os três que seria eu a ir morar com a minha avó para a ajudar no que ela precisasse (pelo “trabalho” que fiz nesse tempo, acho que só precisou de companhia). Depois, infelizmente, o meu avô acabou por falecer, e aí então é que não fazia sentido nenhum voltar à casa do meu pai. Mais uma vez, decidimos que eu ficaria a viver com ela definitivamente.

A partir daí o objectivo principal passou a ser ela, isto enquanto estudava e tentava concluir o 12º Ano. Óbvio que me diverti muito com os meus colegas, mas a ideia era ir às aulas e assim que pudesse voltar para casa, não fosse ela precisar de alguma ajuda… mas na realidade quem ajudou e muito foi ela, que permitiu que eu concluísse o ensino secundário mesmo depois de precisar de repetir duas disciplinas.

No fim de mais este sacrifício dela, a ideia era eu começar a trabalhar e poder finalmente retribuir-lhe alguma coisa, mas Deus ou o Destino ou o Universo ou o cacete em que qualquer um acredite, não deixou que isso acontecesse e no dia 26 de Setembro de 2007, a minha avó (a dias de voltar a casa depois de uma cirurgia “simples” ao joelho) teve um ataque cardíaco e faleceu no hospital.

Já todos perdemos alguém de gostamos, mas só aqueles que perdem a pessoa mais importante da vida deles percebem aquilo que eu senti. Sim, a minha avó era a pessoa mais importante da minha vida. Era com ela que eu planeava aquilo que iria (iríamos) fazer a seguir. Sinto que fiquei viúvo aos 20 anos!

Os primeiros dias, semanas talvez, andamos ali dormentes ao sabor do vento, conforme as pessoas nos vão apoiando e sugerindo coisas, nós fazemos nem questionamos, parecemos uns zombies. Depois vêm as saudades e a noção de aquela ausência é real. Eu fazia a minha vida, ia trabalhar e tinha este pensamento montes de vezes: “vou chegar a casa e dizer isto à minha avó”. E ao mesmo tempo que aparece esse pensamento, aparece logo outro que diz: “agora já não podes”!

Não fui diagnosticado, nem preciso de um médico para ter a certeza que tive anos deprimido. Claro, fui andando, trabalhando, fazendo a minha vida, e sendo uma pessoa bem disposta tentei rir e fazer rir os outros (é das coisas que mais alivia a dor, é ver que tu podes estar uma merda e mesmo assim consegues “enganar” alguém, fazendo-a rir e com isso dar a ideia que estás a reagir e que o “pior” já passou). E até talvez fins de 2011, início de 2012 eu diria: Não, não passou, nem nunca vai passar!

A partir daí e quase em simultâneo apareceram duas coisas na minha vida, que acredito verdadeiramente mudaram tudo: a minha banda favorita, Alter Bridge, onde achei o conforto e percebi que não era o único a passar por aquela situação (quando ouvirem a música deles que vou deixar aqui, acho que vão perceber); e descobri também o amor pelo livros e pela leitura, que contribuíram para que o meu cérebro voltasse a acordar.

Desde então, encerrei este capítulo, aceitando que a vida é assim, que tudo isto faz parte e que é preciso reagir, porque não é por não reagirmos que as pessoas de quem gostamos voltam, sobre isso não há nada a fazer. Dói, dói muito, mas com o tempo, acreditem, vai doendo menos e não é por doer menos que deixamos de gostar ou que nos esquecemos dessa pessoa, é a vida a andar para a frente, a tirar algumas e a dar-nos outras. Por isso agora só posso matar saudades da mulher da minha vida quando ela aparece nos meus sonhos e é isso que tenho feito, é com cada beijo e abraço, pelo menos até acordar de sorriso nos lábios! Agora quero ver quem é que vai limpar a inundação que está neste quarto…

 

Ouvir isto ao vivo (em acústico) foi 

das melhores e das piores sensações,

tudo ao mesmo tempo! 

    

 

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Olá a todos! Continuamos a seguir o desafio do The Bibliophile Club neste mês que está quase a terminar e dedicado às mulheres da minha vida. Depois no último Post ter falado da primeira grande mulher que é a Dona Adélia, hoje é dia de falar da mulher que se seguiu, a minha madrasta.

Já vos expliquei (até em inglês do mais alto calibre!) que quando o meu pai se juntou com a minha madrasta, ela já tinha quatro filhas. Por isso, hoje vou falar não em específico de uma, mas de como foi viver com todas… E foi uma valente desgraça! Deus me valha, vinha eu da minha rica avó, com atenção e mimos todos só para mim, chego ali (e juntando o meu irmão) e somos 6, em que a mais velha tem 9 anos de diferença da mais nova. Isto em uma palavra: caos!

Eu admito, eu era um autêntico selvagem, quando me chateavam havia duas hipóteses: ou chorava ou batia! Quando eram os adultos a chatear-me chorava (arrumar o quarto?! Vocês não têm uma avó para fazer isso?!), quando eram as miúdas a chatear-me, batia! Isto normalmente dava chatice com os adultos, ou seja, mais choro! Por alguma razão naqueles anos não havia notícias de seca no Ribatejo, eu chorava que chegava para encher os rios todos.

Chorava por duas razões: por tudo e por nada. Até mesmo quando a minha madrasta dizia: “Oh Nuno eu não estou a brigar contigo, não precisas de chorar!”, aí ainda chorava mais por ter começado a chorar sem razão nenhuma! Sim, eu era assim tão parvo! Quer dizer, ainda sou, só que sem a parte do choro!

A minha madrasta, coitada, não tinha já 4 filhas para lhe darem cabo do juízo (lamento, é isso que os putos fazem) ainda teve que gramar comigo e com o meu sonambulismo quando lhe apertei os colarinhos, literalmente, quando ela ia tapar aqui o selvagem!

Mas em minha defesa destes tempos tenho que dizer: compreendam que chegou a uma altura que eu tinha que aturar 5 mulheres em TPM, isto por mês nem dois dias de boa disposição dá!

Tirando isto tudo, e falando muito mais a sério, a minha madrasta… que máquina, aquela mulher não se nega a nada, vejam bem que já depois dos 50 anos, decidiu voltar a pegar num camião e anda a conduzir por essa europa fora (e eu nem para Lisboa gosto de conduzir…e num ligeiro)! Ainda não vos disse foi o nome desta super-guerreira (e o que ela me aturou aos gritos com bonecos do Dragon Ball): chama-se Dona Beca (no cartão de cidadão diz que é Maria de Lurdes… modernices!) e a quem eu nos dias que correm adoro chamar velha! As filhas são (por ordem de chegada ao Mundo, não quero chamar ninguém de velha):  a Maria João, a Lúcia, a Cláudia e a Carina!

Consigo olhar para trás e ver que mesmo com todas as condicionantes que é ter uma família de 8 pessoas, acabámos por conseguir ser mesmo uma família e que hoje somos irmãos, tios, sobrinhos, avós, netos (agora, não vou ser eu que vou explicar aos putos quem é que é primo de quem, e essas coisas todas, já me bastou na minha aula de inglês). Todo aquele tempo serviu para aprender muito como é viver em conjunto, por isso e que tudo o que fomos juntos fez de nós uma família, não de sangue, mas de amor!

 

Esta música é do primeiro CD que comprei com o meu dinheiro nessa altura!

Sempre que a ouço, lembro-me daquela época, até pelo sentido que a letra faz tanto tempo depois!