Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Carola Ponto e Vírgula

Carola Ponto e Vírgula

DSC00041.JPG

A minha avó e a minha sobrinha (bisneta)!

 

 

Olá a todos, bem-vindos a mais um texto para o desafio lançado para o mês de Março pelas meninas do The Bibliophile Club. Como já previa, falar a sério não tem sido fácil, mas como eu às vezes devo ser masoquista, volto hoje para falar de mais uma Mulher da minha vida. Preparem-se, eu já trouxe os lenços, não vai ser nada fácil porque hoje é dia de falar DA Mulher da Minha Vida: A Dona Isalinda.

A Dona Isalinda é a minha avó paterna e durante a minha infância ela foi sempre uma avó das antigas, daquelas que só estava bem com os netos pela mão, babada e orgulhosa. Desde que me lembro de ser criança, já a Dona Isalinda me traumatizava sempre que vinha o Carnaval.

Como se isso não fosse suficiente, ainda achou que seria engraçado por os dois netos no rancho folclórico! Quando eu “acordei para a vida” aquilo já fazia parte da minha agenda, agora não me perguntem como é que dançava porque já não me lembro, mas tenho para mim que não devia ser bom tendo em conta a minha coordenação motora actual (ao nível de um bêbado em coma alcoólico)! Desse tempo lembro-me ainda de ser tão magrinho, que para a roupa não me cair toda enquanto dançava, a minha avó prendia as meias aos calções com uns alfinetes… às vezes também prendia a perna aos alfinetes, não me fosse saltar a perna fora!

 

IMG_20190325_0005.jpg

Aquelas meias e calções tão um mimo!

Já as pernas, imagino...

 

 

Depois disto, é o tempo que passa a correr e já na adolescência, o meu avô adoeceu, ficou acamado e o pai e a minha madrasta acharam que a minha avó poderia precisar de ajuda e aí decidimos os três que seria eu a ir morar com a minha avó para a ajudar no que ela precisasse (pelo “trabalho” que fiz nesse tempo, acho que só precisou de companhia). Depois, infelizmente, o meu avô acabou por falecer, e aí então é que não fazia sentido nenhum voltar à casa do meu pai. Mais uma vez, decidimos que eu ficaria a viver com ela definitivamente.

A partir daí o objectivo principal passou a ser ela, isto enquanto estudava e tentava concluir o 12º Ano. Óbvio que me diverti muito com os meus colegas, mas a ideia era ir às aulas e assim que pudesse voltar para casa, não fosse ela precisar de alguma ajuda… mas na realidade quem ajudou e muito foi ela, que permitiu que eu concluísse o ensino secundário mesmo depois de precisar de repetir duas disciplinas.

No fim de mais este sacrifício dela, a ideia era eu começar a trabalhar e poder finalmente retribuir-lhe alguma coisa, mas Deus ou o Destino ou o Universo ou o cacete em que qualquer um acredite, não deixou que isso acontecesse e no dia 26 de Setembro de 2007, a minha avó (a dias de voltar a casa depois de uma cirurgia “simples” ao joelho) teve um ataque cardíaco e faleceu no hospital.

Já todos perdemos alguém de gostamos, mas só aqueles que perdem a pessoa mais importante da vida deles percebem aquilo que eu senti. Sim, a minha avó era a pessoa mais importante da minha vida. Era com ela que eu planeava aquilo que iria (iríamos) fazer a seguir. Sinto que fiquei viúvo aos 20 anos!

Os primeiros dias, semanas talvez, andamos ali dormentes ao sabor do vento, conforme as pessoas nos vão apoiando e sugerindo coisas, nós fazemos nem questionamos, parecemos uns zombies. Depois vêm as saudades e a noção de aquela ausência é real. Eu fazia a minha vida, ia trabalhar e tinha este pensamento montes de vezes: “vou chegar a casa e dizer isto à minha avó”. E ao mesmo tempo que aparece esse pensamento, aparece logo outro que diz: “agora já não podes”!

Não fui diagnosticado, nem preciso de um médico para ter a certeza que tive anos deprimido. Claro, fui andando, trabalhando, fazendo a minha vida, e sendo uma pessoa bem disposta tentei rir e fazer rir os outros (é das coisas que mais alivia a dor, é ver que tu podes estar uma merda e mesmo assim consegues “enganar” alguém, fazendo-a rir e com isso dar a ideia que estás a reagir e que o “pior” já passou). E até talvez fins de 2011, início de 2012 eu diria: Não, não passou, nem nunca vai passar!

A partir daí e quase em simultâneo apareceram duas coisas na minha vida, que acredito verdadeiramente mudaram tudo: a minha banda favorita, Alter Bridge, onde achei o conforto e percebi que não era o único a passar por aquela situação (quando ouvirem a música deles que vou deixar aqui, acho que vão perceber); e descobri também o amor pelo livros e pela leitura, que contribuíram para que o meu cérebro voltasse a acordar.

Desde então, encerrei este capítulo, aceitando que a vida é assim, que tudo isto faz parte e que é preciso reagir, porque não é por não reagirmos que as pessoas de quem gostamos voltam, sobre isso não há nada a fazer. Dói, dói muito, mas com o tempo, acreditem, vai doendo menos e não é por doer menos que deixamos de gostar ou que nos esquecemos dessa pessoa, é a vida a andar para a frente, a tirar algumas e a dar-nos outras. Por isso agora só posso matar saudades da mulher da minha vida quando ela aparece nos meus sonhos e é isso que tenho feito, é com cada beijo e abraço, pelo menos até acordar de sorriso nos lábios! Agora quero ver quem é que vai limpar a inundação que está neste quarto…

 

Ouvir isto ao vivo (em acústico) foi 

das melhores e das piores sensações,

tudo ao mesmo tempo! 

    

 

familia.png

 

 

Olá a todos! Continuamos a seguir o desafio do The Bibliophile Club neste mês que está quase a terminar e dedicado às mulheres da minha vida. Depois no último Post ter falado da primeira grande mulher que é a Dona Adélia, hoje é dia de falar da mulher que se seguiu, a minha madrasta.

Já vos expliquei (até em inglês do mais alto calibre!) que quando o meu pai se juntou com a minha madrasta, ela já tinha quatro filhas. Por isso, hoje vou falar não em específico de uma, mas de como foi viver com todas… E foi uma valente desgraça! Deus me valha, vinha eu da minha rica avó, com atenção e mimos todos só para mim, chego ali (e juntando o meu irmão) e somos 6, em que a mais velha tem 9 anos de diferença da mais nova. Isto em uma palavra: caos!

Eu admito, eu era um autêntico selvagem, quando me chateavam havia duas hipóteses: ou chorava ou batia! Quando eram os adultos a chatear-me chorava (arrumar o quarto?! Vocês não têm uma avó para fazer isso?!), quando eram as miúdas a chatear-me, batia! Isto normalmente dava chatice com os adultos, ou seja, mais choro! Por alguma razão naqueles anos não havia notícias de seca no Ribatejo, eu chorava que chegava para encher os rios todos.

Chorava por duas razões: por tudo e por nada. Até mesmo quando a minha madrasta dizia: “Oh Nuno eu não estou a brigar contigo, não precisas de chorar!”, aí ainda chorava mais por ter começado a chorar sem razão nenhuma! Sim, eu era assim tão parvo! Quer dizer, ainda sou, só que sem a parte do choro!

A minha madrasta, coitada, não tinha já 4 filhas para lhe darem cabo do juízo (lamento, é isso que os putos fazem) ainda teve que gramar comigo e com o meu sonambulismo quando lhe apertei os colarinhos, literalmente, quando ela ia tapar aqui o selvagem!

Mas em minha defesa destes tempos tenho que dizer: compreendam que chegou a uma altura que eu tinha que aturar 5 mulheres em TPM, isto por mês nem dois dias de boa disposição dá!

Tirando isto tudo, e falando muito mais a sério, a minha madrasta… que máquina, aquela mulher não se nega a nada, vejam bem que já depois dos 50 anos, decidiu voltar a pegar num camião e anda a conduzir por essa europa fora (e eu nem para Lisboa gosto de conduzir…e num ligeiro)! Ainda não vos disse foi o nome desta super-guerreira (e o que ela me aturou aos gritos com bonecos do Dragon Ball): chama-se Dona Beca (no cartão de cidadão diz que é Maria de Lurdes… modernices!) e a quem eu nos dias que correm adoro chamar velha! As filhas são (por ordem de chegada ao Mundo, não quero chamar ninguém de velha):  a Maria João, a Lúcia, a Cláudia e a Carina!

Consigo olhar para trás e ver que mesmo com todas as condicionantes que é ter uma família de 8 pessoas, acabámos por conseguir ser mesmo uma família e que hoje somos irmãos, tios, sobrinhos, avós, netos (agora, não vou ser eu que vou explicar aos putos quem é que é primo de quem, e essas coisas todas, já me bastou na minha aula de inglês). Todo aquele tempo serviu para aprender muito como é viver em conjunto, por isso e que tudo o que fomos juntos fez de nós uma família, não de sangue, mas de amor!

 

Esta música é do primeiro CD que comprei com o meu dinheiro nessa altura!

Sempre que a ouço, lembro-me daquela época, até pelo sentido que a letra faz tanto tempo depois!

 

 

IMG_20190325_0002.jpg

À esquerda o estafermo, no meio a Dona Adélia, à direita o mais giro!

(isto claro, do ponto de vista da minha avó!)

 

 

Olá a todos, hoje é dia de iniciar o desafio proposto pelas meninas no The Bibliophile Club e falar sobre as mulheres da minha vida.

Sem modéstia nenhuma (até porque pouco tive a ver com isso) posso dizer que tenho sido bastante afortunado com grandes mulheres ao meu redor e que, cada uma à sua maneira, me moldaram no homem que sou hoje. Isto dito assim não parece muito macho, mas lamento informar homens, embora vos custe muito admitir, tudo de bom que são hoje enquanto seres humanos é graças às mulheres das vossas vidas!

Hoje começo por falar na primeira mulher da minha vida: a Dona Adélia. A Dona Adélia é a minha avó materna, é o que diz a árvore genealógica da família, mas para mim foi a minha primeira mãe (tive mais que uma. Eu sei, sou um gajo de sorte) e é com ela que tenho as minhas primeiras memórias (da minha mãe também tenho algumas). Ela tomou conta de mim até aos meus 9 anos, sendo viúva desde que eu tinha 3 anos.

A minha avó não sabia ler, nem escrever, por isso nos tempos da primária só ouvia “Oh Nuno faz isso bem, que eu não te consigo ajudar, só se for nas contas, aí a avó não falha, tudo certinho”. Acho que é muito isto que falta agora aos miúdos, os avós, esta confiança e tolerância que eles têm para connosco e estão sempre dispostos a ensinar-nos muito daquilo que não se aprende nos livros. Realmente sinto-me um homem de sorte!

Depois dos nove anos, para grande desgosto da minha avó, fui morar com o meu pai e a minha madrasta (lembro-me de a apanhar a chorar já depois de saber que me iria ver sair de casa. Acho que ela pensou que só sairia dali nos meus 50 anos!).

A partir desse momento comecei a visitá-la todos os fins-de-semana. Era o momento em que ia lá, receber mimos e lanches e no fim ela ainda me agradecia pela visita. Os avós são assim, dão-nos tudo e no fim ainda são eles que agradecem!

Não quero culpar o tempo, o trabalho, os amigos, seja lá quem for, mas ultimamente (e não é há tão pouco tempo quanto isso) sinto que estou em divida para com ela, logo numa das alturas em que ela mais precisa de mim… A Dona Adélia é uma máquina, já bem depois dos setenta sobreviveu a um cancro da mama. Ela ganhou essa guerra, mas perdeu muitas batalhas, uma delas é a sua independência. E isso custa-me muito a ver, ela está num lar (onde é muito bem tratada) e sempre que a minha tia pode, vem passar uns dias com ela. Eu podia, eu devia, eu tinha que ir vê-la, mas eu não tenho conseguido, custa-me muito olhar para ela e não chorar, isto enquanto ela está toda feliz por me ver! Eu sei que isso é uma falha enorme da minha parte. Lá chegará o dia em que serei homem o suficiente para voltar a visitá-la, e nesse dia tenho a certeza que aquilo que merecia era umas valentes chapadas, mas não ela vai olhar para mim e dizer: “Se tivesse aqui um foguete, mandava já”!

Pronto, estou aqui que nem merda, estão contentes?!

Deixo-vos uma música, que não sendo nada o meu estilo, sei que é uma das preferidas dela!

 

 

 

         

 

20181229_115547.jpg

 

Olá a todos. Este mês consegui! O livro que escolhi este mês para The Bibliophile Club já está lido! E é sobre ele que vou falar hoje.

Temos então “Fica Comigo” de Lucie Whitehouse, editado em Portugal pela Bertrand Editora e que nos conta a história de Rowan que desconfiada decide investigar a morte acidental da sua antiga amiga Marianne. Isto porquê? Porque Marianne morre ao cair do telhado da sua casa, o que não seria nenhum acidente de que se pudesse desconfiar, não fosse ela ter vertigens! É a isto que Rowan se agarra para partir em busca de mais respostas para as suas dúvidas.

 

“— Estou… de coração destroçado — disse Jacqueline, como se compreendesse pela primeira vez o verdadeiro significado da palavra. Então, depois de uma pausa: — A Marianne morreu, Rowan. — O som de novo, a sua nota estranha, horrível. — Caiu do telhado para o jardim. O pescoço…

Um clarão momentâneo, o chão a ceder sob os pés e a imagem horrível de um corpo em queda livre.

Jacqueline falava e chorava ao mesmo tempo.

— Foi no domingo à noite, na neve, mas só a encontraram na segunda de manhã. Ela esteve lá toda a noite no escuro. Encharcada… gelada. A sua pele… Rowan, disseram-me que os dedos dela estavam congelados. Não suporto pensar nisso, mas não consigo parar… — Calou-se e começou a soluçar desesperadamente.”

 

Escolhi este livro para o tema de Março, porque além de ser uma mulher a escrever esta história, também a personagem principal é uma mulher!

“Uma intriga elegante, personagens esplendidas e uma reviravolta de matar.” Sunday Mirror.

Tendo em conta estas referências tão prometedoras, parti para este livro com uma expectativa elevada e pronto para uma história mesmo à minha medida: cheia de interesse, voltas e reviravoltas e já ansiava por um final espectacular! Não podia estar mais enganado…

 

 

The Bibliophile Club.jpg

 

 

Olá malta, bom fim-de-semana de carnaval para todos, hoje venho apresentar o livro que escolhi para o mês de Março para o The Bibliophile Club.

Este mês o tema que foi escolhido é muito abrangente e sem dificuldade para achar um livro que se possa encaixar nesse tema, mas é um tema muito importante: Livro escrito por mulheres ou sobre mulheres. Mas para além do tema, este mês traz também um desafio: falar das mulheres da nossa vida. Sinceramente hesitei em querer fazer este desafio, mas isso foram uns belos 5 segundos, até me aperceber que é isso mesmo, um desafio.

Primeiro porque eu não gosto de falar a sério, não é que não consiga, mas aborrece-me, sinto que ao falar a sério, não estímulo a minha criatividade, só escrevo sobre o assunto e mais nada. Por isso, escrever sobre as mulheres que mais me marcaram, será desconfortável e desafiante.

Depois assim que pensei o que podia fazer com este desafio, tive umas ideias que posso explorar e que serão uma lembrança de como as mulheres em geral, e as da minha vida em particular, são a parte mais importante da vida de cada um de nós. Pena que ainda não estejamos no patamar de igualdade entre géneros! Sobre o que vou falar?! Não percam os próximos episódios porque nós também não!

Agora voltamos ao livro que decidi escolher para este tema de Março:

Fica Comigo de Lucie Whitehouse, edição Bertrand Editora.

 

20181229_115547.jpg

 

 

SINOPSE:

Marianne Glass é artista e aparece morta, caída do telhado. Toda a gente insiste tratar-se de um acidente, excepto Rowan Winter, em tempos a sua melhor amiga. É que Marianne sempre sofreu de vertigens e nunca se aproximaria da beira de um telhado.
Em tempos, Marianne e a sua família significavam o mundo para Rowan. Para uma adolescente órfã de mãe e com um pai ausente, aquela família intelectual e cheia de vida representava um mundo de glamour e oportunidades.
Mas desde que se afastaram, Rowan sabe de Marianne apenas pelos jornais: a rápida ascensão na cena artística londrina, o romance com o seu galerista. Para descobrir as causas da sua morte, Rowan tem de saber mais. Estaria angustiada com alguma coisa? Em perigo? Começa então a procurar pistas: nas obras mais recentes de Marianne, nas suas relações mais próximas e na amizade recente com um artista.
Mas quanto mais fundo vai na história, mais sinistro tudo se torna. E um segredo do passado faz com que também ela se comece a preocupar com a sua sorte…

 

Escolhi este livro porque é um livro que até já esteve nas votações que faço no Instagram todos os meses, mas que não foi o mais votado. Óbvio que se o tenho, é porque vi algo de interessante nele… A minha noção e coerência em livros no que toca ao “interessante” em si, pode variar e até uma capa mais apelativa é o suficiente para mais uma compra.

Neste caso, é o mistério em torno de uma morte, o suficiente para apostar nele para o tema deste mês. Espero que seja mais uma leitura boa e estarei aqui para vos falar sobre ela.

Esta experiência no The Bibliophile Club tem sido muito boa e permitiu-me ir à procura daqueles livros que teimam em ficar para trás e que no fim acabam por me deixar a pensar: porque é que eu não li este livro mais cedo, como foi o caso d’O Regresso de Kristin Hannah que estava perdido aqui na estante há demasiado tempo.

Vamos então a isso, e que Março vos traga mais um monte de belas leituras. Obrigado a todos, vão acompanhando tudo no grupo criado no Facebook do clube literário e quem ainda não está lá, junte-se a nós, neste espaço de partilha dos livros que tanto gostamos. Até à próxima.

20190131_132724.jpg

 

 

Olá a todos! Venho hoje falar do livro do mês de Fevereiro para o The Bibliophile Club. Calma, eu sei que já estamos em Março, mas é Carnaval ninguém leva a mal (safei-me com esta desculpa?!).

Então temos “O Regresso” de Kristin Hannah, no meu caso, com uma edição de capa dura da Círculo de Leitores. Este é o segundo livro que leio desta escritora, sendo que o primeiro foi das leituras que, até aquela altura, mais mexeu comigo. Se nunca leram “Estrada da Noite”, façam o favor de ler, é muito bom. Se já leram, comentem aí se gostaram ou não! Vamos então ao meu regresso (e este trocadilho?! Mau, eu sei!) à escrita de Kristin Hannah.

Neste livro temos a história de Jolene, piloto de helicóptero no exército norte-americano, que no mesmo dia fica a saber que o marido já não a ama e que foi destacada para a guerra no Iraque. Jolene só por si já é uma personagem complexa, com uma infância difícil e repleta de traumas, via neste casamento e nas suas duas filhas, uma família feliz e um “felizes para sempre” garantido. Mas tudo muda de figura naquele dia em que o Michael diz já não a amar. Literalmente no meio disto, entra a guerra e a partida de Jolene para o Iraque.

“Jolene soube no mesmo instante que havia ido longe de mais; percebeu isso pela forma como Michael ficou tenso.

— Desculpa. Não foi isso que eu quis dizer. Sei o quanto o amavas, mas…

— Não aguento mais — disse em voz baixa, abanando a cabeça.

Jolene franziu o sobrolho.

— Aguentar o quê?

— Não quero mais isto.

— Que raio está a passar-se, Michael? Meteste a pata na poça hoje. Porque não podes…

Michael olhou para ela.

— Não te amo, Jo.

— O quê?

— Já não te amo.

— Mas…

Foi como se algo dentro dela estivesse a despedaçar-se, os músculos a rasgar-se, separando-se dos ossos. Jolene agarrou-se à borda da bancada para se apoiar. No meio do barulho estrondoso que havia dentro da sua cabeça, ouviu uma leve respiração reprimida. Virou-se devagar, devagar, devagar, pensando, por favor, meu Deus, não…

Betsy estava de pé na sala de estar, com a fita que ganhou pelo segundo lugar na mão. Arquejou baixinho, arregalando os olhos lentamente, compreendendo tudo. Depois, virou costas e correu pelas escadas acima.”

 

 

 

 

 

20181229_115051.jpg

 

 

Olá a todos. Chegámos ao mês de Fevereiro e como sempre venho aqui fazer uma antevisão e falar sobre as minhas expectativas sobre os livros que planeio ler este mês. Como o mês é mais curto que os demais, decidi que iria ler… 5 livros! Sim, eu acho que estou a ficar doente (quer dizer, eu estive mesmo doente, mas foi uma infecção pulmonar, nada tem a ver com uma doença do foro mental ainda por diagnosticar). O livro que estou a ler no momento é a minha estreia num dos maiores nomes nacionais: “Caim” de José Saramago. E este não faz parte dos cinco que mencionei antes (está bonito está, nem sabes onde é que te estás a meter este mês).

Ora então irei participar em dois clubes literários: Net Book Club e The Bibliophile Club. Ainda tenho o meu “José Rodrigues dos Santos Challenge”, irei começar mais um dos objectivos que tracei para 2019: ler a saga Millenium de Stieg Larsson. Por fim fica a faltar o livro do mês que foi votado no Instagram do Blogue. Os livros escolhidos para o “José Rodrigues dos Santos Challenge” e The Bibliophile Club já sabem quais são e contam com as suas antevisões aqui (JRS e TBC).

Por isso vamos começar com os outros livros.

Da votação no Instagram:

20190202_144201.jpg

 

 

Princípio de Karenina de Afonso Cruz

 

SINOPSE:

 

Um pai que se dirige à filha e lhe conta a sua história, que é a história de ambos, revelando distâncias e aproximando-se por causa disso, numa entrega sincera e emocional.

Uma viagem até aos confins do mundo, até ao Vietname e Camboja, até ao território que antigamente se designava como Cochinchina, para encontrar e perceber aquilo que está mais perto de nós, aquilo que nos habita. Um pai que ergue muros de silêncio, uma mãe que faz arco-íris de música, uma criada quase tão velha como o Mundo, um amigo que veste roupas de mulher, uma amante que carrega sabores e perfumes proibidos. São estas algumas das inesquecíveis personagens que rodeiam este homem que se dirige à filha, que testemunham - ou dificultam - essa procura do amor mais incondicional.

Uma busca que nos leva a todos a chegar tão longe, para lá de longe, para nos depararmos connosco, com as nossas relações mais próximas, com os nossos erros, com as nossas paixões, com as nossas dores e, ao somar tudo isto, entre sofrimento e júbilo, encontrar talvez felicidade.

 

 

EXPECTATIVA:

 

Quando comprei este livro foi simplesmente para conhecer mais um escritor português, por isso a minha expectativa é mesmo essa: conhecer a escrita, a história, a forma como cria as personagens. Vamos ver…

 

 

Agora para a Saga Millenium

 

20190203_142521.jpg

 

 

Os Homens Que Odeiam as Mulheres de Stieg Larsson

 

SINOPSE:

 

O jornalista de economia Mikael Blomkvist precisa de uma pausa. Acabou de ser julgado por difamação ao financeiro Hans-Erik Wennerstrom e condenado a três meses de prisão. Decide afastar-se temporariamente das suas funções na revista Millennium. Na mesma altura, é encarregado de uma missão invulgar. Henrik Vanger, em tempos um dos mais importantes industriais da Suécia, quer que Mikael Blomkvist escreva a história da família Vanger. Mas é óbvio que a história da família é apenas uma capa para a verdadeira missão de Blomkvist: descobrir o que aconteceu à sobrinha-neta de Vanger, que desapareceu sem deixar rasto há quase quarenta anos. Algo que Henrik Vanger nunca pôde esquecer. Blomkvist aceita a missão com relutância e recorre à ajuda da jovem Lisbeth Salander. Uma rapariga complicada, com tatuagens e piercings, mas também uma hacker de excepção. Juntos, Mikael Blomkvist e Lisbeth Salander mergulham no passado profundo da família Vanger e encontram uma história mais sombria e sangrenta do que jamais poderiam imaginar.

 

EXPECTATIVA:

 

A pressa com que eu andei para achar e comprar todos os livros desta saga (na altura ainda eram só quatro) para depois… (começar a lê-los, era o desejo) ficarem parados na estante! Não deve ser só a mim que isto acontece (digam que não, não me quero sentir sozinho neste crime contra os livros)! Com isto, finalmente vou começar a lê-los, depois irei ver também os filmes que, entretanto, saíram. A expectativa é alta e espero que tanta ansiedade e depois que tanto desprezo na estante me tragam uma boa leitura.

 

Finalmente, temos o livro escolhido para o Net Book Club

 

20190203_142449.jpg

 

 Vox de Christina Dalcher 

 

SINOPSE:

 

Estados Unidos da América. Um país orgulhoso de ser a pátria da liberdade e que faz disso bandeira. É por isso que tantas mulheres, como a Dra. Jean McClellan, nunca acreditaram que essas liberdades lhes pudessem ser retiradas. Nem as palavras dos políticos nem os avisos dos críticos as preparavam para isso. Pensavam: «Não. Isso aqui não pode acontecer.»

Mas aconteceu. Os americanos foram às urnas e escolheram um demagogo. Um homem que, à frente do governo, decretou que as mulheres não podem dizer mais do que 100 palavras por dia. Até as crianças. Até a filha de Jean, Sonia. Cada palavra a mais é recompensada com um choque elétrico, cortesia de uma pulseira obrigatória.

E isto é apenas o início.

 

 

EXPECTATIVA:

 

Dizer altíssima é pouco! Com uma sinopse destas, uma realidade que não lembra a ninguém, será interessante ver como viverão as mulheres nesta história com esta regressão de direitos e como é que a implementação desta nova realidade será feita. Espero um mundo bem diferente do nosso, mas que ao mesmo tempo nos lembre que se calhar (e talvez de outras formas) não estamos em mundos assim tão distantes.

 

E é isto. Um mês bem mais curto, mas que dará para pouco mais que ler, ler e… ler. Como se isso fosse um problema! Obrigado a todos e boas leituras!

 

The Bibliophile Club.jpg

 

 

Olá, hoje e como prometido venho apresentar a minha escolha para o tema de Fevereiro no The Bibliophile Club. Este mês o tema escolhido foi: Romance. É um tema muito largo e com várias “ramificações”, mas achei interessante ir buscar uma autora que teve em grande por essas redes sociais: Kristin Hannah. Como até este mês quase não tinha visto ninguém falar dela, pensei que não fosse muito conhecida pela maioria das páginas que acompanho. Eu ainda só li um livro desta escritora, "Estrada da Noite", e adorei, 5 estrelas fácil. A história foi boa, mas lembro-me de que as personagens tinham muita profundidade e personalidade. Foi o primeiro livro em que senti realmente raiva, pena e vontade de gritar umas belas asneiras a uma das personagens!

 

20190131_132724.jpg

 

Para este tema, decidi então escolher “O Regresso”. Era um livro que já andava um bocado perdido aqui na estante e é também por isso que adoro a liberdade deste clube literário, que nos deixa escolher da nossa estante e cada um lê, possivelmente, uma escolha diferente.  Vamos então à sinopse:

 

“Jolene sempre conseguiu equilibrar a vida familiar com a carreira de piloto de helicóptero e as suas memórias de uma infância turbulenta. Mas, no dia em que o marido lhe diz que já não a ama, ela é destacada para o Iraque e a sua vida ameaça tornar-se num perigoso suspense. Enquanto Michael percebe finalmente o que é ser pai no dia a dia, do outro lado do mundo a mulher procura apenas sobreviver à guerra. No momento do seu regresso a casa, tanto Jolene como Michael estão diferentes. Será que a estranheza do reencontro vai ditar o fim do casamento ou haverá ainda tempo para reconstruir a vida que ficou para trás?”

 

Para começar gosto logo da ideia de ser a mulher a ir para a guerra! Normalmente as histórias são sempre de homens que partem com os seus exércitos rumo ao território inimigo, o que como é óbvio não relata a totalidade dos casos, sim, também existem mulheres que vão para o campo de batalha e corre risco de vida. Só por aqui já temos uma perspectiva diferente e isso é sempre intrigante. Depois temos o timing da partida, no mesmo dia em que é destacada para o Iraque a nossa militar fica a saber pelo seu marido que este já não a ama. Conhecendo isto, e sabendo a forma como explora as personagens e os cenários, só posso antever uma leitura boa. Já leram este livro? Esta autora? Gostaram? Qual foi a vossa escolha para este mês?

Vamos interagindo no grupo para manter tudo muito animado e boas leituras a todos! 

20181201_114847.jpg

 

 

Olá a todos, volto hoje (ainda a recuperar de uma “pequena” infecção pulmonar) com a minha opinião sobre um livro que realmente demorou mais tempo do que esperaria, também porque a partir de certa altura percebi que mais valia abrandar e tentar aprender os capítulos sem a urgência deter que acabar o livro, só porque sim. Foi um dos livros que venceu a votação de Dezembro, mas ao mesmo tempo foi o livro que escolhi para o tema de Janeiro do novo clube literário em que decidi participar: The Bibliophile Club.

Vamos lá então à opinião sobre “Desperte O Gigante Que Há em Si” de Tony Robbins, edição da Lua de Papel.

 

“Tudo o que acontece na sua vida — tanto aquilo que lhe traz felicidade como aquilo que representa um desafio para si — começou com uma decisão. Acredito que é nos seus momentos de decisão que o seu destino ganha forma. As decisões que toma agora, todos os dias, vão influenciar a forma como se sente hoje e quem se vai tornar nesta década e depois dela.”

 

 

 

 

The Bibliophile Club.jpg

 

Olá minha gente, bom domingo e vamos falar hoje de um clube literário em que decidi participar: The Bibliophile Club.

Este clube literário foi criado por três mulheres que já têm blogues individuais: By The Library (Sónia Pinto), A Sofia World (Sofia Lima) e Imperium Blog by Lyne (Carolayne Ramos). Destes três blogues apenas seguia o primeiro, mas a magia da Internet é mesmo esta, um chama outro e quando damos por isso temos muitos blogues para acompanhar e no fim um monte de boas sugestões para ler.

Este clube é diferente da maioria porque se foca num tema por mês e não numa escolha especifica, o que facilita a escolha e ainda aumenta a discussão entre os vários membros do grupo e foi muito por isso que decidi fazer parte deste grupo. Conto participar todos os meses, mesmo naqueles em que o tema não seja dos meus favoritos. É sempre bom sair da nossa zona de conforto literária, e eu gosto disso. Já tinha acontecido o mesmo quando participei no Net Book Club d’A mulher que ama livros, quando o livro que ganhou a votação foi “A Maldição de Hill House”, um livro de terror e um género que evito ler, mas gostei da experiência.

Logo para abrir o apetite, em Janeiro o tema escolhido pelas meninas foi Não ficção e/ou Auto-ajuda tendo elas sugerido três livros que entraram na minha lista de compras para 2019. Nem de propósito eu leio todos os meses um livro de Auto-ajuda ou Desenvolvimento Pessoal e por isso o tema deste mês é muito tranquilo para mim e já estava a ler um livro desde o fim de 2018 que se encaixa nos requisitos (eu perguntei se podia ser considerado batota, mas as meninas não se opuseram): “Desperte o Gigante que Há em Si” de Tony Robbins, um dos maiores no desenvolvimento pessoal de todos aqueles que o procuram seja nos livros, vídeos ou nos seus seminários.

 

20181201_114847.jpg

 

No Instagram do blogue, tenho por hábito fazer duas votações para as leituras do mês, uma delas engloba sempre dois livros de Desenvolvimento pessoal. O que venceu a votação foi: “A Arte Subtil de Saber Dizer que se F*da” de Mark Manson. Este não sei se consigo acabar antes do fim de Janeiro, mas também estou muito curioso para lê-lo e falar sobre ele.

20181229_114638.jpg

 

Estou muito curioso por ver e ler todas as opiniões neste clube ao longo destes meses e sobre os temas de leitura. Desejo a melhor sorte a todos, que a interacção seja constante, cada com mais pessoas, e que as boas leituras nunca acabem! E agora, vão participar? Qual o livro que estão a ler? Estão a gostar?