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Carola Ponto e Vírgula

Carola Ponto e Vírgula

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Olá a todos. Mais um mês, mais um livro para o Net Book Club d’A mulher que ama livros. Confesso que estive quase para não participar nesta leitura mesmo depois de ter votado, isto porque eu e o género terror não somos grandes amigos e ler um livro destes era algo que por minha iniciativa nunca iria acontecer.

Para que compreendam a minha aversão, maioritariamente a filmes de terror, digo que o problema está não em mim, que enquanto estou consciente assusto-me como qualquer outra pessoa, mas não sou muito afectado por isso. O problema é que eu sonho muito, e roubando aqui uma frase muito conhecida e adaptando-a ao contexto, com muitos sonhos vêm muitos pesadelos, de maneiras que para dormir descansado sem ter o Chucky à minha perna, deixei o terror fora da minha vida (excepto quando me vejo ao espelho logo de manhã).

Mas tudo acabou este mês e cheguei à conclusão que estava na altura de me fazer um homem e acabar com esta maldição enquanto lia outra!

 

“Passara a vida inteira à procura de uma casa genuinamente assombrada. Quando ouviu falar de Hill House, ficou indeciso a princípio, depois esperançado e, por fim, infatigável; não era homem para abrir mão de Hill House depois de a ter descoberto.”

 

 

 

Eis que chegamos então ao livro de Shirley Jackson “A Maldição de Hill House” editado pela Cavalo de Ferro. Este título já foi adaptado para cinema e mais recentemente para uma série da Netflix, embora por aquilo que me foram dizendo, a série é muito diferente do livro.

Sobre o livro temos então John Montague, especialista no estudo do oculto e o impulsionador desta aventura em Hill House, que consegue levar consigo Theodora, sua assistente, Luke, futuro herdeiro da casa amaldiçoada e Eleanor, alguém que conta já com experiência com poltergeists (sou tão ignorante sobre este assunto que tive que pesquisar o que esta palavra significava).

 

“— Só posso dizer uma coisa — disse o doutor —, se era mesmo a irmã mais nova que vagueava pela casa de noite, tinha nervos de ferro. Ela observa — acrescentou de repente. — A casa vigia todos os nossos movimentos. — E logo de seguida: — É a minha imaginação, é claro.”

 

 

Achei que o livro começa muito morno, demasiado morno, até mesmo para mim, e já estava a pensar (a desejar nunca) quando aparecia o terror a sério. E sim, quando a casa começou a mostrar-se aos seus ocupantes, dei por mim a pensar “tem calma com essa imaginação senão depois não dormes” ao mesmo tempo que acreditei que a partir daquele momento a acção ia aumentar de ritmo e o terror iria subir de intensidade. A verdade é que embora houvessem vários tipos de manifestações, a história foi-se desenvolvendo e não houve nada nela que realmente mexesse comigo de forma a despertar-me medo. Claro que a ausência de imagem e de som, ajuda muito a que a leitura consiga ser controlada e os momentos mais aterradores possam ser mais fáceis de lidar, num filme não há como escapar do som que antecipa o acontecimento, mas achei que mesmo através das palavras fosse possível criar esse sentimento de antecipação (e quase de certeza que é, talvez não neste tipo de acção lenta). Como não sou nenhum especialista no género às tantas fico sem saber avaliar, por isso, gostava de saber se isto é o normal nos livros de terror ou se este é um caso específico. A conclusão pareceu-me deixar condições para uma continuação (se existir avisem-me, não quero morrer na ignorância) e também isso tornou esta experiência algo incompleta para mim.

Posso dizer que gostei desta primeira aventura, e provavelmente a última (agora não vão votar em mais livros de terror só para me verem sofrer ok?!), e consegui sobreviver. Gostava muito de saber a vossa opinião sobre a que nível está enquadrado este livro neste género literário. Comentem aqui ou nas redes sociais sobre este ou outro livro que vos tenha causado arrepios e porquê! Muito obrigado, até à próxima e boas leituras!

 

Bem, pensou Eleanor, percebendo que estava deitada de lado na cama, numa escuridão total, a agarrar a mão de Theodora com ambas as mãos, com tanta força que sentia os seus ossos delicados, não aguento mais, eles querem amedrontar-me. Muito bem, conseguiram. Estou com medo, mas, mais do que isso, sou uma pessoa, sou um ser humano, sou uma pessoa que anda, que é racional, que tem humor e aguento tudo e mais alguma coisa nesta casa lunática e nojenta, mas não vou suportar que façam mal a uma criança, isso não; por amor de Deus, vou conseguir abrir a boca agora mesmo e vou gritar! Vou gritar.

— Parem com isto! — gritou, e as luzes estavam como elas as tinham deixado, e Theodora estava sentada na cama, assustada e desgrenhada.

— O que foi? — dizia Theodora. — O que foi, Nell? O que foi?

— Meu Deus, meu Deus — disse Eleanor, saltando da cama e refugiando-se num canto do quarto a tremer. — Meu Deus, meu Deus… que mão agarrava eu?"