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Carola Ponto e Vírgula

Carola Ponto e Vírgula

         Ano 2007 (chiça estou a ficar velho à velocidade da luz); Zona Industrial Vale Tripeiro, Benavente; pouco depois das 12h30; parado a um cruzamento; sirenes da Polícia; encostar o carro; “Por favor saia do carro”; apresentação do documento de identificação; “Ah desculpe foi engano, pode seguir”; FIM.

 

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Como a Polícia me vê...

 

 

         Não perceberam?! Eu a pensar que este era o melhor texto curto de sempre e vocês obrigam-me a explicar… ora então cá vai:

         Corria (novamente, à velocidade da luz) o tal ano de 2007, aqui o vosso amigo e blogger era ainda considerado um rookie no mundo laboral. Depois de dois meses no primeiro emprego numa tipografia, era, obviamente, um aprendiz que tinha como “professor” só um ex-skinhead (se é que isso existe) e decidi vir embora. Já dizia o outro: porque será?!

         Depois desta bela experiência, um amigo meu conseguiu que eu fosse contratado para a empresa onde ele trabalhava. Não, não foi cunha… uma cunha é quando nos arranjam emprego, ou seja, um sítio onde se ganha bem e se trabalha pouco. No meu caso foi mesmo um trabalho, onde se ganha pouco e se trabalha muito e o qual conservo até hoje. Atenção patrãozinho querido não me estou a queixar… (mas um aumento — de trabalho não é preciso — é sempre bem-vindo).

         Continuando… naquele dia, aqui o jovem trabalhador já fartinho de trabalhar ia ter o seu merecido almoço, peixe certamente. Seguíamos no carro do meu colega rumo a casa, quando a sair do estacionamento dum restaurante vem um jipe da G.N.R. que ao ver-nos passar, liga as luzes e manda encostar a viatura. Depois das perguntas de circunstância ao condutor, um dos agentes da autoridade, olha para mim e diz:

         — Por favor, saia da viatura e venha aqui falar comigo.

         Eu pensei logo duas coisas:

         “Queres ver que trabalhar é crime?!” e pior “Queres ver que já não há direito a pausa para almoço?”.

         Admito, não sou doutorado em legislação laboral e fiquei assustado. No entanto, a questão era ainda mais grave.

 

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O que eu realmente sou...

 

         Dias antes houvera um assalto a uma bomba de gasolina aqui na zona e que infelizmente resultou na morte duma das empregadas. O que é que eu tive a ver com isso? Até àquele momento, nada. Depois daquele momento, nada. Naquele momento e só perante o olhar daqueles agentes da autoridade eu era parecido com um dos assaltantes (o facto de virem dum restaurante no horário de almoço não levanta suspeitas, pois não?!). Provavelmente foi aquela coisa muito específica de ter mais de 1,80m e mais de 90Kg (ele, que eu estava e estou nos três dígitos há muito tempo e por mérito próprio) e uma cor de cabelo peculiar: castanho escuro…

         Dada a minha identificação, o G.N.R. sorri e diz:

         — Ah desculpe foi engano, pode seguir.

         E eu segui e se já ia com fome, fiquei-lhe com muito mais sede... foi engano, a minha mãe é que sabe se fui um engano, ora essa…

 

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Os únicos GNR que realmente importantes!