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Carola Ponto e Vírgula

Carola Ponto e Vírgula

         A ocasião era de festa. O restaurante à pinha. O evento: jantar de aniversário do meu melhor amigo. É sempre um jantar muito bem frequentado (se é que faço entender) e aquele ano não era excepção!

         O mais impressionante é que tudo isso passou para segundo plano assim que os meus olhos te viram. O meu primeiro pensamento: “Só pode ser sueca!”

 

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         Fiquei logo nervoso, mas tinha que ganhar coragem, respirei fundo e lá fui eu na tua direcção. Não sei como, nem porquê, mas o facto é que tu permitiste que me aproximasse sem receios. Mais, tu puseste-me completamente à vontade, e eu fiquei fascinado com isso, nunca me tinha acontecido algo tão mágico!

         Incrível como se vai do céu ao inferno num instante! Num segundo estamos juntos, felizes, a desfrutar da companhia um do outro (e do jantar de aniversário também) e logo a seguir um terramoto abate-se sobre nós e ali ficámos os dois desfeitos para espanto de todos.

         Eu sentia-me feliz, seguro e, não se se já disse, feliz. Infelizmente, seria sol de pouca dura e eu não tinha como prever que fosse tão repentino a começar como a acabar. O que mais me espanta, e me corrói por dentro, é saber que foi por minha culpa que tudo desmoronou e que te fiz passar da felicidade plena para o completo lixo. Não sabia que tinha poder para tanto, lamento!

         Sim, eu sou o único culpado e não vale a pena procurar por as culpas em quem nos estava a tentar fotografar. A culpa não é dele, é minha. Ele viu a nossa felicidade e quis perpetuá-la numa fotografia para mais tarde recordar.

         Eu acho que isto sempre ficou claro, mas não quero que penses que eu tinha vergonha que me vissem contigo. O problema, mais uma vez, não és tu, sou eu. Eu é que nunca gostei dos Flashes apontados para mim e foi por isso que lá estava eu apoiado em ti a desviar-me deles, longe de imaginar que seria isso a ditar o princípio do fim. Com uma estupidez destas era impossível que tu resistisses e não acabasses por quebrar.

         Quebraste tu, eu fui por arrasto, porque nisto das relações, a dor de um é a dor do outro. E assim foi, a dor foi dos dois, mas a culpa, essa, é só minha!

         Custa muito a engolir o orgulho e admitir o meu erro, mas é a verdade. Ainda me lembro que sofri muito na altura, mas tu, minha querida cadeira do restaurante, tu ficaste completamente desfeita! R.I.P.

 

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Espero que te tenham tentado trazer de volta à vida!