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Carola Ponto e Vírgula

Carola Ponto e Vírgula

Olá a todos, boa segunda-feira (se é que isto existe) e como uma desgraça nunca vem só, aqui estou eu novamente e, como sempre, em peso. Como na semana passada andei a vasculhar a minha vida na C+S, hoje armo-me ainda mais em Trunks do futuro e volto ainda mais atrás no tempo para vos recordar outro belo dia na minha vida, desta vez ainda na primária!

 

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Mais uma voltinha, mais uma viagem!

É até ficar com o cabelo azul (só os viciados vão entender esta) 

 

 

 

Estávamos na 4ª classe e naquele tempo (esta conversa de velho está a ficar recorrente) ainda tivemos a sorte de ter a mesma professora desde o primeiro dia da 1ª classe até ao último deles todos na 4ª classe! Coisas esquisitas que aconteciam naqueles anos!

Como é fácil de perceber as emoções estavam em altas! Por um lado, iríamos forçosamente mudar de escola o que nos deixava ansiosos (daquela ansiedade “boa” pelo desconhecido, sim, essa que depois em adultos se transforma em medo de mudanças). Por outro lado, nunca mais iríamos estar junto da nossa professora que, lamechices à parte, foi um espectáculo connosco.

 

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Keep Calm que até antes do próprio "Keep Calm" ser alguém este título já estava entregue!

 

 

Para acabar em beleza tínhamos para a festa do final do ano lectivo uma peça de teatro onde seríamos partes do corpo humano. Distribuíram-se as personagens: dois (um menino e uma menina) eram a boca, da mesma forma outros dois eram os olhos e eu… era o estômago (já era um presságio de quem é que naquela turma iria ser obeso).

Não vou negar, eu estava entusiasmadíssimo, ou como dizem os putos naquela altura: bué contente. Dediquei-me com afinco, decorei as minhas falas todas, tanto que agora sempre que o meu estômago “fala” já sei o que diz: “Quero comer!”. Estava pronto para a peça, confiante que não me ia esquecer do texto e os ensaios na sala de aula tinham corrido bem.

Chegados ao dia da festa, mas de manhã ainda era preciso fazer o último ensaio, mas o primeiro em palco. Tínhamos um coordenador dos ensaios das turmas todas que estava tão aplicado em que tudo fosse perfeito que demorou tanto tempo a aperfeiçoar as primeiras turmas que já não houve tempo para a minha subir ao palco. Problemas com isso?! Nenhum, o texto estava na ponta da língua no palco ou na sala de aula era igual!

“São vocês a seguir!” — disse a professora ao olhar com orgulho para nós e para a nossa caracterização — “Mas (e porque há sempre um “mas”), olhem que só há dois microfones, por isso “boca” para um, “olhos” para o outro e tu estômago ficas no meio”!

Ok já tínhamos estado a falar melhor, nos ensaios não tinha havido essa questão, mas um “estômago” não se mede aos palmos e lá fui eu… cheio medo, nervoso e já quase literalmente com uma paragem de digestão!

Até para se ser estômago é preciso ter, lá está, estômago. Tive que engolir uns sapos e como se já não bastasse isso ainda tive que engolir a vergonha e o orgulho mesmo antes da minha fala e decidi abrir a gola ao vento pronto para pasmar uma plateia de pais orgulhosos.

E eles ficaram pasmados, principalmente os das filas de trás que não conseguiram ouvir nada daquilo que eu disse! Já que tinha engolido tanta coisa, talvez tivesse sido boa ideia um bagacinho para engrossar a voz, mas o mal já estava feito!

“Podias ter pedido o microfone a um deles…” — disse a minha professora.

Obrigadinho Sra. Professora, mas uma estrela nunca partilha o microfone alheio!

Foi a minha primeira performance e, sem falsa modéstia digo que foi uma performance digna de um Óscar…alho!   

 

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Idem para o alho com esse óscar...