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Carola Ponto e Vírgula

Carola Ponto e Vírgula

         Continuamos a jornada na vida aqui do autor deste blogue. Já vos tinha dito que a certa altura a minha mãe decidiu deixar-me a cargo da mãe dela (já que com ela tinha dado resultado, porque não?!).

         Mas houve uma época, não sei se com saudades ou com o bichinho da maternidade aos pulos, ela tentou uma reaproximação. Teria eu seis ou sete anos.

         A minha mãe, nesses anos também ela uma jovem e foi provavelmente por isso que achou que a melhor solução de reatamento sentimental com o seu filho seria… uma noitada juntos.

Mãe há só uma.jpg

 

 

         Fomos para casa de uma amiga dela e estava lá outro menino (quiçá também ele em modo de reconciliação com a sua progenitora). Brincámos muito os dois, enquanto os adultos se divertiam a sua maneira, entre bebidas, cigarros e música alta. Depois do jantar chegara finalmente a hora ideal para irmos todos para a rambóia.

         Enquanto íamos no caminho para “não sei onde” (imagino que devia ser o nome do bar). Eu ia bem acomodado na cadeirinha de criança mais sofisticada daquele tempo: o colo da mãe e os braços dela como cinto de segurança. Às tantas um dos ocupantes está com uma prata (daquelas dos maços de tabaco) e começa com um isqueiro a aquecê-la por baixo. Lembro-me de pensar algo como: “queres ver que vai estrelar um ovo no caminho?! Realmente já comia qualquer coisa!”. Depois disso, não sei como nem porquê, deu-me uma soneira, só acordei na rua perto da casa de onde tínhamos saído, já nos braços da minha avó e com o dia a nascer.

         A minha avó estava furiosa como nunca a vira. Discutia com a minha mãe, devia estar com ciúmes com certeza. Dona Adélia deixe que lhe diga: esteve muito mal, até porque eu chegava para as duas (e com o tamanho que ganhei até agora, até me podia dividir em dois).

         A partir daí a relação entre nós três nunca mais foi a mesma. Entre mim e a minha mãe, entre a minha mãe e a mãe dela, o clima esfriou bastante. Entre mim e a minha avó ficou como antes deste episódio: ela a tomar conta de mim como o filho, homem, que nunca teve.

         E essa foi a única vez que consumi… drogas… e tempo à minha mãe!

 

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