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Carola Ponto e Vírgula

Carola Ponto e Vírgula

         Ainda agora entrámos em 2018 e já está aí à porta o Carnaval.

         É o samba no pé (não é o caso destes tijolos), os desfiles e a folia. São os palhaços, as matrafonas, os balões de água e as bombinhas de mau cheiro. É a festa durante três dias que divertem miúdos e graúdos.

         Vamos então falar dos miúdos. Ou melhor, falar de como este graúdo, que aqui vos escreve, vivia o Carnaval enquanto petiz.

         Vocês nem imaginam a antecipação que era pela chegada do Carnaval na casa da Dona Isalinda. A Dona Isalinda é/era a mãe do meu pai e por arrasto minha avó. Mulher do campo, e de muito trabalho, ostentava dois braços que pareciam troncos (não que me lembre de alguma vez ter levado uma paulada deles, mas digamos que metia respeito).

         Mal chegados a Janeiro e já aquelas mãos de seda trabalhavam a todo o gás nos disfarces que o meu irmão e eu iríamos usar. O problema de tudo isto era entrar em depressão logo no início do ano ao saber que dali a um mês tinha que andar a brincar ao carnaval vestido ou de sevilhana ou de peixeira (lembra-se que já vos falei dos troncos da minha avó?! Por isso, sim, TINHA QUE andar assim no carnaval).

 

Carnaval.jpg

 A cara de contentamento deste jovem diz tudo.

Isto sim é um castigo.

 

 

         Que opinião tinha eu?! Naquela altura, nenhuma! Mas agora, e já que perguntam, sentia-me revoltado e violado na mais profunda da minha masculinidade! Não ser nos dias de hoje um profissional do travestismo é uma sorte!

         Esta brincadeira feita actualmente?! Já a segurança social nos tinha vindo buscar para irmos passar fome numa qualquer instituição que nunca é fiscalizada. Depois seríamos adoptados por uma família daquelas boas e cheias de recursos que, aí sim, nos violaria literalmente.

         Como é fácil de imaginar, não tenho uma relação de grande afinidade com o Carnaval.

         No entanto é verdade que nos últimos anos tenho feito um esforço enorme para me reconciliar com esta época festiva e até considerei mascarar-me novamente. Seria um disfarce fácil e quase igual ao original. Umas roupas velhas, pintava-me de verde e voilà: nascia um Shrek que até Hollywood me vinha buscar para fazer uma adaptação idêntica à de “A Bela e o Monstro” (atenção que neste casting só não fiquei com o papel de Monstro por não saber dançar. Até a não-depilação eu tinha igual).

         Da minha parte espero que se divirtam muito. “A vida são dois dias e o Carnaval são três”. Bom Carnaval a todos.