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Carola Ponto e Vírgula

Carola Ponto e Vírgula

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Mais uma semana passada, mais uma análise a um livro aqui no blogue. Hoje temos um livro que foi muito bom de ler em contraponto com as circunstâncias que originaram a sua concepção. O livro é “Aproveitem a Vida” de António Feio com a colaboração de Maria João Costa.

Acho que António Feio dispensa apresentações, sendo que ele e José Pedro Gomes formaram uma dupla que muitas gargalhadas provocaram em todos nós com “A Conversa da Treta” em todas as suas versões de teatro, à TV ou em filme. Confesso que sou grande fã deste senhor e da química que ele e o Zezé tinha em palco, no meio de improvisos de génio. Lamentavelmente nunca os vi ao vivo, é a tal história de os dar como adquiridos e que mais no menos ano punha o fim a essa ausência. Pois bem, agora já não há nada a fazer e é mais um daqueles desejos que ficarão sempre por realizar.

 

Sei que me estou a desviar um pouco do tema base que é o livro, mas gostava de falar de como esta pessoa influenciou, a mim e a tantos outros. Lembro-me de ele ser o Johnny Bigodes em “Ai os homens”, aquele portento físico não deixava ninguém indiferente! Depois com “A Conversa da Treta” foi a loucura. São as piadas, os pontapés na gramática (é uma arte falar mal de propósito), os “suponhamos”, é tudo e mais alguma coisa e graças ao Youtube vi vezes sem conta as peças que foram gravadas.

Johnny Bigodes em acção!

 

Mas vamos lá ao que interessa e falemos deste “Aproveitem a Vida”. Nunca foi intenção do Toni que este livro fosse uma biografia, mas sim um livro mais do género de auto-ajuda, para que com o relato dele fazer uma chamada de atenção para que nos foquemos naquilo que realmente interessa nas nossas vidas e que os problemas estão lá para ser resolvidos da melhor maneira possível, sem desistir nunca.

Temos neste livro a participação de uma das filhas, Catarina, com poemas, um deles ia ser transformado em música no primeiro álbum de originais dela.

José Pedro Gomes e Jorge Mourato, também dedicam umas belas palavras ao seu grande amigo.

A base deste livro gira ao redor desta doença que lhe apareceu no pâncreas. Meses antes, também a sua irmã, tinha sido diagnosticada com o mesmo tipo de cancro, mas com uma origem diferente. Vai para lá da minha imaginação como é que este homem ao dar apoio à sua irmã, se vê numa situação igual e ainda conseguiu arranjar força para nos entreter e fazer rir mais um pouco.

Relata-nos os seus sonhos de infância e de adulto, lembrando que é sempre importante irmos atrás dos nossos sonhos, sem desistir deles, devagar ou depressa, mas sem parar. Fala-nos das suas origens em Moçambique e da mudança para Portugal, para mais tarde voltar de novo a Moçambique. Também descreve como foi toda a sua carreira no teatro até chegar onde chegou. As pessoas não têm a noção do que custa ser actor, principalmente aqueles que poucas vezes vão a televisão. Conta-nos os amores e desamores da sua vida. Eu gosto muito disto, de conhecer o homem real e não o actor.

Depois temos relatos na terceira pessoa de como o viram a reagir aos tratamentos e como nunca desistiu de tentar todas as opções para resolver aquele problema.

Mais par o fim temos uma carta de despedida, “pelo sim, pelo não” disse ele, além de um mini diário.

A certa altura custa-nos ler tudo isto sabendo que não conseguiu superar a maldita doença, mas é como ele diz. “Não deixem nada por fazer, nem nada por dizer” e foi isso que ele fez. Voltarei a este livro e recomendo-o a quem for fã deste senhor do teatro em particular e da comédia em geral (tentativa de piada). Obrigado António Feio!

 

Oh catano, oh camandro, oh o caneco!