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Carola Ponto e Vírgula

Carola Ponto e Vírgula

De: Mim

Para: Netflix

Data: Nesta noite de insónias e ressaca por ter acabado de ver La Casa de Papel

 

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Olá minha estimada Netflix queria dar-te os parabéns pelo trabalho extraordinário que tens feito ao revolucionar a forma como vemos séries, filmes, animes, etc.

Com o teu nascimento os fins de semana nunca mais foram os mesmos: ficaram ainda mais curtos para ficar no sofá a ver uma série do início ao fim. E depois ainda promoves temas que precisam ser discutidos sem medos nem pudores.

Destaco a série, baseada no livro de Jay Asher, “13 Reasons Why” que conta o relato na primeira pessoa através das, actualmente obsoletas, cassetes áudio sobre a(s) causa(s) que levaram uma jovem adolescente ao suicídio. Todos nós sabemos que a vida em geral, e na adolescência em particular, é difícil e por vezes leva a decisões extremas e nisso esta série foi extremamente realista ao ponto de me fazer recordar situações idênticas durante os meus anos de escola e que podiam ter o mesmo destino trágico que vemos no ecrã. Há quem defenda que deste modo se está a glorificar o suicídio, porque claramente também foi graças filmes e séries que se inventou a escravatura e o racismo…

 

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Acho que fizeram muito bem as imagens duras, fortes, cruas, frias, gráficas para que o choque que provocam na sua audiência os possam demover de tomar decisões tão drásticas e irreversíveis, para assim aprenderem a focar-se nos aspectos, ainda que poucos, mais positivos da vida. Óbvio que ter uma protagonista gira à brava ajuda e muito!

 

 

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Eu avisei que era gira...

 

Mudando o chip para a série do momento: La Casa de Papel. O osso mérito de transformar em fenómeno global uma série que passou nos intervalos da chuva no país de origem é algo só ao vosso alcance e ainda bem que o fizeram porque uma série desta qualidade tem que ser do conhecimento do maior número de pessoas possível.

Mas o que torna um “simples” assalto à casa da moeda espanhola em algo tão bom? Será o facto de torcer pelo sucesso dos ladrões não parecer assim tão mal?! Ou por eles terem nomes de cidades?! Ou será a genialidade do professor no planeamento espectacular do assalto?! Ou será pelas miúdas giras?! Ou será por a mensagem que pretende passar no meio daquele enredo é “quem são realmente os ladrões”?!

 

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Eu acho que os ladrões são mesmo vocês, Netflix, ladrões de horas de vida.

Agora, como não há nada perfeito, venho aqui mostrar o meu descontentamento (ou contentamento descontente) sobre estas séries em questão: eu não queria que tivessem mais temporadas, preferia que tivessem acabado assim como estão.

Isto não significa que não vá ver as continuações, descansem é claro que vou continuar a acompanhar. Bem sei que imaginação não vai faltar aos produtores e guionistas para dar sentido e justificação á continuação das séries (sem ser a óbvia: dinheiro).

Para mim estas duas séries ficavam bem fechadas assim, rumo ao Hall of Fame da Netflix. Tenho medo que ao continuarem, estraguem todo o trabalho excelente que foi feito até aqui. Por isso deixo-vos um apelo:

Não continuem séries que estão tão bem concluídas. Haverá imaginação e dinheiro que chegue para inventar novas séries que tenham muto sucesso também.

Atenciosamente, com beijinhos e abraços daqui até (à) Tóquio:

EU

 

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