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Carola Ponto e Vírgula

Carola Ponto e Vírgula

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         Hoje falamos sobre “Reaccionário com Dois Cês. Rabugices sobre os novos puritanos e outros agelastas” de Ricardo Araújo Pereira ou abreviando RAP. Certamente não será coincidência que o RAP (estilo musical) tenha também como base a boa utilização das palavras. É isso que partilham, tanto as palavras com os beats que ouvimos no RAP como os textos do extraordinário RAP, “O” humorista, cronista e, na sua opinião e como melhor qualidade, benfiquista.

         O Champion marcou uma geração, juntamente com Miguel Góis, Tiago Dores e Zé Diogo Quintela nos Gato Fedorento. Quantos sketches imitei e sei de cor?! Demasiados. Tiraria melhor proveito, com certeza, se de Ricardo Araújo Pereira tivesse imitado (como se fosse possível) a sua inteligência e a sagacidade da sua escrita humorística, tão bem expressa nesta colecção de crónicas.

        

Divididas em quatro partes (“Comente o Seguinte País”, “Admirável Facebook Novo”, “Então mas o que é isto?” e “Assim como nós não perdoamos a quem nos tenha ofendido”), prefaciado por uma “carta” ao nosso país e no final do livro uma auto-entrevista.

"Temo que a decisão, recentemente anunciada pelo criador do Facebook, de introduzir um botão que diz «Não Gosto» possa trazer uma mudança drástica ao mundo. Se os utilizadores passam a poder manifestar opiniões negativas numa rede social, receio que em breve tenhamos azedume, maledicência e até ressentimento na internet. Não sei se aguento. A internet, outrora berço da cordialidade e sensatez, pode transformar-se num antro de agressividade e violência verbal. É pena."

         Sobre as crónicas pouco há a dizer. E isso não é mau, pelo contrário é bom. É Ricardo Araújo Pereira ao seu nível, altíssimo. Cada texto destaca-se individualmente e mostram bem quer a qualidade da sua escrita, quer a genialidade do seu humor.

         Deus me livre, ou segundo uma das crónicas, Eusébio me livre de ter o azar de entrar numa argumentação com este Deus da comédia. Seria facilmente humilhado e ainda me iria rir disso.

         “Reaccionário com Dois Cês” é mais do mesmo. E mais do mesmo significa humor de grande qualidade e em doses industriais. Escusado será dizer que despachei este livro num piscar de olhos.

         Embora as crónicas na revista Visão, o Governo Sombra e outras aparições na TV e rádio, um desejo mantêm-se e a mesma questão surge vezes sem conta: “Quando é que voltam os Gato Fedorento”?