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Carola Ponto e Vírgula

Carola Ponto e Vírgula

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Olá a todos. Hoje venho falar da minha última leitura do mês de Março, o meu primeiro livro de Jo Nesbo, “Sangue na Neve”, edição D. Quixote.

Esta história é relata por um assassino, que se vê metido numa grande confusão, quando o seu chefe o contrata para mais um trabalho. Até aqui nada de estranho, não fosse o patrão ter encomendado a morte da própria mulher! Como se isso não bastasse Olav, o nosso assassino, decide não fazer aquilo para que foi contratado, quer dizer foi contratado para matar e matou, não matou foi o alvo pretendido, a mulher do patrão, por quem se apaixonou.

 

“A neve dançava como algodão à luz dos postes de iluminação. Sem rum, incapaz de decidir se queria elevar-se ou cair, deixando-se simplesmente conduzir pelo vento infernal e gelado que varria a grande escuridão que envolvia a fiorde de Oslo. Juntos giraram, vento e neve, rodopiando sem parar, nos espaços escuros entre os armazéns do cais, todos fechados à noite. Até que o vento se fartou e largou a parceira de dança junto à parede. Aí, a neve seca e varrida pelo vento, assentava em redor dos sapatos do homem que eu acabara de atingir a tiro no peito e no pescoço.”

 

 

 

A partir daí Olav, agora um traidor, tem a mulher que ama, mas também tem o antigo patrão e os seus capangas à perna, prontos para matarem os dois enamorados. No mundo do crime quem não mata, morre e Olav, o nosso assassino apaixonado, sem vontade nenhuma de morrer decide (e para não ser mais spoiler ainda) vender a alma ao diabo e tentar matar o seu antigo patrão.

 

“O único problema que o Hoffmann enfrentava agora era o Pescador. O Pescador era um concorrente bastante recente no mercado da heroína e, como se revelou, não era um idiota. Deus sabe que há toxicodependentes suficientes em Oslo para ambos, mas cada um dava o seu melhor para riscar o outro da face da Terra. Porquê? Bem, suponho que nenhum deles nasceu com o meu talento inato para a subordinação. E as coisas ficam um pouco confusas quando pessoas como eles, que têm de mandar, que têm de se sentar no trono, descobrem que as respectivas mulheres lhes são infiéis. Acho que os Daniel Hoffmanns deste mundo teriam vidas melhores e mais simples se aprendessem a olhar para o outro lado e, quem sabe, se aceitassem que as suas mulheres tivessem um caso ou dois.”

 

É um livro muito curto, com a acção muito directa, sem rodeios e informação desnecessária. As personagens também são bem caracterizadas e ninguém é muito genérico. De notar o sentido de humor do nosso personagem principal, adorei!

Gostei muito do livro e vejo-me a ler mais livros deste autor, mesmo que sejam maiores que este. Sei que a maioria dos livros fazem parte de uma série e é provável que a voltar a lê-lo comece por aí. Quem já leu, qual foi o livro que mais gostou? Comentem e até à próxima!

 

“— Idiota de merda — gemeu de olhos fechados. — Corta-se a garganta a um tipo com uma naifa, não…

— Isso teria sido demasiado rápido — disse eu.

O meu pai riu-se e tossiu. Bolhas de sangue nos cantos da boca.

— É assim mesmo, meu filho.

Foi a última coisa que disse. Afinal, acabou por ser ele a ter a última palavra. Porque, naquele preciso momento, apercebi-me de que tinha razão, o sacana. Eu era o filho dele. Não era verdade que não soubesse porque esperei aqueles segundos a mais antes de lhe enterrar o bastão no corpo. Foi para prolongar o momento mágico em que eu, e apenas eu, tinha o poder sobre a vida e a morte.

Aquele era o vírus que eu tinha no sangue. O vírus dele.”

 

 

 

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