Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Carola Ponto e Vírgula

Carola Ponto e Vírgula

tia.jpg

 

Olá, hoje é o último dia do mês e a última oportunidade para terminar em beleza o desafio de falar das mulheres das nossas vidas, lançado pelo The Bibliophile Club! Como eu previa, não foi um assunto nada fácil de abordar, mas valeu muito a pena porque também dei a conhecer uma parte importante da minha vida, até àqueles que já me conhecem pessoalmente. O apoio que recebi nos comentários foi muito bom e por isso o meu muito obrigado.

Vamos então fechar este desafio com a última mulher da minha vida. Não é a última na classificação, porque essa classificação nem existe, mas sim é a que cronologicamente ganhou importância mais tarde.

Apresento-vos a Dona Ricardina. A Dona Ricardina é a minha tia, irmã da minha avó Isalinda. A minha tia foi sempre uma presença assídua na casa da minha avó, até porque vivem na mesma rua (nesta rua tenho três tias, é dose!). A minha tia nunca foi mãe, mas não é por isso que nunca deixou de estar rodeada de crianças. Lembro-me de em criança ir para casa dela brincar só porque sim, sem razão nenhuma. Os miúdos agora precisam sempre de uma razão para largarem os pais (às vezes a razão são os próprios pais, que acham que só eles é que sabem cuidar dos seus filhos). Eu ia só porque sim, e para brincar com o quê?! Com molas de estender a roupa (sim, eu sei, tenho uma imaginação fértil).

A minha tia sempre acompanhou de perto o crescimento dos seus sobrinhos todos, onde houver um sobrinho, ela lá está. Não é preciso “parir” para ter este amor, carinho e dedicação! E o mais estranho é que ela faz isto como se não fosse nada, nem como um dever ou obrigação, nem como algo fora do normal, mas é!

Além de tia a tempo inteiro, a Dona Ricardina é uma devota da igreja e até canta lá no coro! Por isso, não é de estranhar que quando fiz a catequese e ia ser baptizado, eu lhe tenha pedido para ser a minha madrinha de baptismo, o que obviamente ela aceitou.

E quando a minha avó Isalinda faleceu, ela fez aquilo que as madrinhas fazem, chegou-se à frente para me apoiar a partir dessa altura.

Engraçado, e também uma prova de que ela faz tudo sem segundas intenções, é que numa conversa qualquer e já nem sei bem como eu disse algo como: “as pessoas gostam de casamentos e baptizados, mas por causa da festa, porque depois nem os padrinhos sabem o que realmente significa isso de ser padrinho ou madrinha. Mas a minha sabe e segue a ideia à risca!”, ao que ela responde: “Isso é verdade, mas quem é que é a tua madrinha?”. Óbvio que quando eu disse “é você” ela riu-se, “vê bem que nem me lembrava”!

A minha tia Ricardina é das melhores pessoas que este mundo já viu, acreditem. Adora histórias e por isso também gosta de ler e muitos dos livros que tenho também ela acaba por os ler.

Já eu adoro ouvir as histórias dela, de um tempo antigo, de grandes dificuldades que ela e todos os meus tio e avó passaram. Mas ela diz sem ponta de vergonha: era miséria, mas era feliz! As coisas de que ela fala, algumas até a mim, já parecem irreais tendo em conta a evolução que tivemos até agora! Muitas das coisas que ela relata daquele tempo são quase surreais que davam um livro. Quando penso nisso nem consigo imaginar como será o meu futuro quando tiver a idade dela!

Pronto e chegámos ao fim deste desafio, que para mim foi isso mesmo: desafiante. Espero que tenham gostado e até à próxima!

 

Fã de novelas, a Dona Ricardina adorou esta novela

quase tanto como adorou esta música!