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Carola Ponto e Vírgula

Carola Ponto e Vírgula

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Olá pessoal, como vão essas leituras?! Já passámos a metade do ano, quais foram os vossos livros favoritos até agora?! Vou confessar já que este ano tenho tido muitas boas leituras, poucas desilusões, mas também ainda não tive muitos daqueles livros que em 5 estrelas, valem 10 e que nos marcam para vida e dos quais não vamos esquecer a história (pelo menos até o Alzheimer decidir vir chatear a memória alheia).

Vamos então falar de “Onde Cantam os Grilos”, editado pela Cultura Editora e da autoria da portuguesa Maria Isaac. Nunca imaginaria que com este nome a autora fosse portuguesa, até porque há mais Marias na Terra (lá estou a abusar da minha sorte e a gozar com nomes, como se Nuno fosse um nome de jeito…). Esta é a história de Formiga, um bebé abandonado num cesto na Herdade do Lago. Herdade essa, já bem recheada de mistérios, lendas e maldições, muitas das quais serão abordadas e descobertas pelo então jovem Formiga.

 

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Olá a todos, hoje é dia de voltar a falar de mais uma leitura. Esta foi a primeira leitura de Junho e um dos livros mais recentes na minha estante. Tem sido um dos livros mais falados nos blogues e Instagrams literários: “Demência” de Célia Correia Loureiro, editado pela Coolbooks.

Uma das razões que me fez comprar este livro (além das reviews bastante positivas) foi tratar-se de um tema bastante actual e que ganha cada vez mais preponderância na sociedade e eu fico sempre muito curioso por saber mais sobre a forma como esta realidade interfere na vida do próprio doente e de toda a família ao seu redor.

No caso da nossa história temos Letícia e Olímpia, a primeira foi vítima de violência doméstica por parte do filho da segunda, filho esse que foi morto por Letícia, um crime pelo qual foi ilibada. No entanto e com os primeiros sinais da doença de Olímpia, Letícia vê-se obrigada a regressar e a prestar assistência à sogra.

 

“Bastou aquele gemido da velha para que os três tivessem uma confirmação. Esperavam que dissesse que torcera um pé e que, por isso, não se podia deslocar até aos currais. Mas a vizinha limitava-se a não compreender que a causa da morte dos animais era a sua ausência.

— Há mais de uma semana que não vai ao curral, dona Olímpia. Não a temos visto por lá e os animais vão morrendo à fome.

— Que animais é que morreram à fome? Então eu não vou lá todos os dias? Já lá fui hoje e daqui a nada já lá vou de novo. – Olímpia expressava-se como se a injuriassem.

— Agora que caiu a noite é que lá ia, para partir um pé e ficar um mês de cama? – sibilou Zé, sem que Salomé o chamasse à razão.

De súbito, também ela pareceu impaciente, vindo-lhe à ideia a roupa que deixara estendida.

Olímpia prosseguia, irritada:

— Eu vou lá quando eu quiser, os animais são meus. Não tenho marido nem pai que me dêem ordens.

Salomé acenou ao marido. Não valia a pena, estavam a enervar a pobre mulher.

— Quer que vá consigo amanhã ao curral, para a ajudar?

— Eu não preciso de ajuda nenhuma, nunca precisei. — Pondo-se de pé, a idosa pegou na toalha e nos utensílios para bordar e voltou-lhe as costas.

Ao fechar a porta atrás de si, ainda a ouviram tartamudear:

— Agora querem ver que estou maluca?”