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Carola Ponto e Vírgula

Carola Ponto e Vírgula

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Olá a todos, volto finalmente com mais uma publicação. Sei que não estou a publicar com muita regularidade ou consistência, mas actualmente é só com esta regularidade que consigo! Qualquer reclamação é favor escrever ali no livro de reclamações que está ao fundo do corredor.

Agora, vamos lá dar a opinião sobre a minha última leitura. Temos então um dos maiores clássicos portugueses: “Ensaio Sobre a Cegueira” do nobel da Literatura, José Saramago, edição Porto Editora.

Quem me segue, seja pelo blogue ou pelas minhas redes sociais (Facebook e Instagram — quem não seguir ou fizer “gosto” na página é um Joe Berardo!), sabe que os grandes clássicos teimam em não fazer parte da minha lista de livros lidos. Ainda assim, estou a tentar recuperar os clássicos perdidos. Comentem quais são os livros que aqui o tio TEM mesmo que ler! Para variar já divaguei que nem um animal (os animais divagam?), mas vamos lá…

O primeiro livro que li de Saramago foi “Caim” e gostei muito. Gostei da tão aclamada forma de escrever do autor e fiquei curioso por mais! É aí que entra este “Ensaio Sobra a Cegueira”. E o que dizer dele?! Bem, parte de uma ideia original onde de repente um homem está no trânsito e fica cego. Mas não é uma cegueira normal, escura, não, é uma cegueira que o deixa a ver tudo claro como se estivesse a olhar de frente para o sol.

 

“O novo ajuntamento de peões que está a formar-se nos passeios vê o condutor do automóvel imobilizado a esbracejar por trás do para-brisas, enquanto os carros atrás dele buzinam frenéticos. Alguns condutores já saltaram para a rua, dispostos a empurrar o automóvel empanado para onde não fique a estorvar o trânsito, batem furiosamente nos vidros fechados, o homem que está lá dentro vira a cabeça para eles, a um lado, a outro, vê-se que grita qualquer coisa, pelos movimentos da boca percebe-se que repete uma palavra, uma não, duas, assim é realmente, consoante se vai ficar quando alguém, enfim, conseguir abrir uma porta, Estou cego.

Ninguém o diria. Apreciados como neste momento é possível, apenas de relance, os olhos do homem parecem sãos, a íris apresenta-se nítida, luminosa, a esclerótica branca, compacta, como porcelana. As pálpebras arregaladas, a pele crispada da cara, as sobrancelhas de repente revoltas, tudo isso, qualquer o pode verificar, é que se descompôs pela angústia. Num movimento rápido, o que estava à vista desapareceu atrás dos punhos fechados do homem, como se ele ainda quisesse reter no interior do cérebro a última imagem recolhida, uma luz vermelha, redonda, num semáforo. Estou cego, estou cego, repetia com desespero enquanto o ajudavam a sair do carro, e as lágrimas, tornaram mais brilhantes os olhos que ele dizia estarem mortos. Isso passa, vai ver que isso passa, às vezes são nervos, disse uma mulher.”

 

 

 

 

 

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Olá e não se assustem: chegamos a Maio! Sim, eu sei: o Natal parece que foi há dois dias, o Carnaval foi ontem e a Páscoa acabou esta manhã!

Sei exactamente como se sentem, está quase aí… a Feira do Livro 2019! Isso e o tio aqui do sítio chegar aos 32 anos… Mas pronto como nem tudo é mau, vamos hoje falar do tema que foi escolhido para o mês de Maio no The Bibliophile Club: Autores Portugueses! Não é um tema muito difícil de preencher, a dificuldade é mesmo escolher entre tantos e tão bons.

Tendo em conta isto, decidi não ir ao meu favorito, José Rodrigues dos Santos e escolhi um autor do qual já li um livro (há tanto tempo que seria melhor relê-lo), “O Espião Português”. Lembro-me de ter gostado bastante e foi também por isso que decidi ler o seu mais recente “A Última Ceia”, edição da Cultura Editora. Vamos à sinopse:

 

SINOPSE:

Uma nota enigmática é encontrada junto a lascas de tinta e tela, e à moldura vazia de um quadro famoso. O ladrão deixou um recado. Promete repetir a façanha dentro de um ano. De visita à igreja de Santa Maria delle Grazie em Milão, uma jovem mulher apaixona-se por um carismático milionário. Mas quando alguns meses depois é abordada por um antigo professor, Sofia é colocada inesperadamente perante um dilema. Deverá denunciar o homem com quem vai casar-se, ou permitir tornar-se cúmplice deste ladrão de arte irresistível?

 

Enquanto a intimidade entre o casal aumenta, um jogo de morte, do gato e do rato, começa. E aquilo que ao início aparentava ser um conto de fadas, transforma-se rapidamente num pesadelo, enquanto um plano ousado e meticuloso é urdido para roubar a obra-prima de Leonardo da Vinci. Requintado, intimista, inspirado em acontecimentos verídicos, A Última Ceia transporta-nos até ao elitista mundo da arte. Passado entre Londres e Milão, habitado por uma coleção extraordinária de personagens, para as quais a ambição e fama sobrepõem-se a qualquer outro valor, este é um thriller sofisticado de leitura compulsiva. Uma viagem surpreendente ao centro de uma teia de intrigas, romances e traições.

 

 

EXPECTATIVA:

 

Se tem intrigas e traições, contem comigo! Depois temos ladrões, amor e cúmplices ao barulho… pronto, vendido, não preciso de mais nenhuma justificação! Claro que com a recordação que tenho do outro livro do autor e com as opiniões que tenho lido ao longo do tempo sobre este livro novo, tudo se compõe para um tempo bem passado e mais um bom livro para juntar à colecção!

 

E aí, que livro escolheram para este mês? Quem já leu este? Conhecem o autor? Comentem e continuem a participar no The Bibliophile Club!
Até à próxima.

 

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Olá a todos, bom fim-de-semana e bem-vindos a mais uma opinião aqui no blogue! O livro de hoje tem sido muito referenciado nos últimos tempos, embora tenha sido originalmente editado em 1985, ganhou nova vida desde que deu origem a uma série. Falo-vos de “A História de Uma Serva” (título original “The Handmaid’s Tale”) escrito por Margaret Atwood e edição da Bertrand Editora.

Um livro muito comparado a este é o “VOX” de Christina Dalcher. Ambos são distopias onde as mulheres simplesmente perdem todos os seus direitos, sendo que em “VOX” as mulheres andam com pulseiras que dão choques assim que ultrapassarem o limite diário das 100 palavras, aqui neste livro de Margaret Atwood as mulheres férteis perdem os seus direitos, virando servas de uma elite estéril com o objectivo de engravidar dos seus Comandantes. Ambas se passam nos Estados Unidos da América (e eu a pensar que o Trump era das piores coisas criadas lá…). Eu acho que fiz o percurso contrário à maioria que leu primeiro “A História de Uma Serva” e depois “VOX” e muito provavelmente terei uma classificação contrária da maioria dos leitores já que gostei mais do “VOX” do que deste “A História de Uma Serva”.

Mas não se vão já embora, que ainda nem comecei a falar do livro!

 

“Uma figura, de vermelho com abas brancas em redor do rosto, uma figura como a minha, uma mulher indistinguível de vermelho com um cesto, vem pelo passeio de tijolo na minha direção. Alcança-me e espreitamos o rosto uma da outra, descendo os olhos pelos túneis brancos de tecido que nos encerram. É a mulher certa.

— Bendito seja o fruto — diz-me ela, a saudação estabelecida entre nós.

— Que o Senhor abra — respondo, a réplica estabelecida.

Viramo-nos e caminhamos juntas, deixando para trás as casas grandes, em direção à parte central da cidade. Só nos é permitido ir lá aos pares. É supostamente para nossa proteção, embora a ideia seja absurda: já estamos bem protegidas. A verdade é que ela é a minha espia, tal como eu sou a dela. Se uma de nós se escapar como areia por entre os dedos devido a alguma coisa que aconteça durante uma das nossas caminhadas diárias, serão pedidas contas à outra.

Esta mulher é a minha companheira há duas semanas. Não sei o que aconteceu à anterior. Certo dia não estava lá, pura e simplesmente, e estava esta em seu lugar. Não é o tipo de coisas acerca do qual se faça perguntas, porque geralmente as respostas não são das que queiramos ouvir. De qualquer modo, não haveria resposta.”

 

 

 

 

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Olá a todos, espero que tenham sobrevivido ao Dia do Livro e a todas a promoções desse dia. Eu ainda estou em recuperação, tentei resistir e aguentar, mas não deu! Eu sei, sou um orgulho para os departamentos de marketing das lojas e livrarias, já para a minha carteira… ela diz que sou uma desilusão e que devia procurar ajuda! Por isso, ajudem-me: Não fui o único, pois não?!

Agora vamos ao assunto que nos traz aqui hoje: a minha opinião sobre o livro do mês que escolhi para o “The Bibliophile Club”. Com Thrillers e Mistério para o mês de Abril, fiquei com um grave problema: como é um dos meus temas favoritos, não se adivinhava uma escolha fácil e rápida no meio de tantas hipóteses que tinha em casa. Foi então que graças a uma sugestão nos comentários do grupo, que acabei por escolher um livro que tardava em lê-lo: “Os Homens que Odeiam as Mulheres”, o primeiro livro da saga Millennium de Stieg Larsson, edição D. Quixote.

 

 

“Vanger baixou os olhos para as mãos, e então bebeu um golo de café, como se precisasse de uma pausa antes de conseguir finalmente falar do que queria.

— Antes de começar, Mikael, gostaria de chegar a um acordo contigo. Quero que me faças duas coisas. Uma é um pretexto, a outra é o verdadeiro objectivo.

— Que espécie de acordo?

— Vou contar-te uma história em duas partes. A primeira é a respeito da família Vanger. É o pretexto. É uma história comprida e sombria, e eu vou tentar cingir-me à verdade nua e crua. A segunda parte da história tem que ver com o meu verdadeiro objectivo. Provavelmente, vais achar que uma parte desta história é… louca. O que quero de ti é que me ouças… que ouças o que quero que faças e também o que ofereço… antes de decidires se aceitas ou não o trabalho.”

 

 

 

!

 

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Olá a todos, como estão esses preparativos para a Páscoa?! Eu já estou em estágio para entrar em modo “amêndoas, ovos e outros doces”, tanto é que há 5 minutos que não como nada! Mas isso não tem nada a ver com o que vamos falar agora.

Hoje é dia de falar do livro escolhido para o Net Book Club do mês de Abril: “Dez Anos Depois” de Liane Moriarty editado pela Editorial Presença. A criadora deste projecto decidiu (sempre pedindo a nossa ajuda, claro) refrescar este clube literário a partir do próximo mês de Maio. Agora além de escolhermos o livro do mês ainda partiremos numa viagem literária pelos quatro cantos deste Mundo redondo!

Vamos lá então falar deste “Dez Anos Depois” que tem como título original “What Alice Forgot”. É só a mim que esta discrepância entre título original e título traduzido (não só neste caso) faz uma confusão enorme?! Mas que todo o mal fosse esse…

Temos então a nossa personagem principal, Alice, que depois de uma queda no ginásio perde a memória dos últimos dez anos. Ora isto não seria um problema tão grave não fosse o caso de a vida dela estar totalmente diferente do ano 1998 em que julgava estar quando recuperou os sentidos após a queda. Nesse ano estava grávida da sua primeira filha e muito apaixonada pelo marido. Em 2008 estava à beira do divórcio e era mãe de três crianças.

 

“— Faça-me a vontade, Alice, e diga-me o nome do nosso ilustre primeiro-ministro — pediu George.

— John Howard — respondeu obedientemente. Esperava que não houvesse mais perguntas sobre política. Não era o seu forte. Nunca deixava de ficar suficientemente aterrorizada.

Jane emitiu um som estranho de escárnio e alegria.

— Oh. Ah. Mas ele ainda é o primeiro-ministro, não é? — Alice estava mortificada. As pessoas iam gozá-la por causa aquilo nos próximos anos. Oh, Alice, não sabes quem é o primeiro-ministro! E se ela tivesse perdido a eleição? — Mas eu tenho a certeza que ele é o primeiro-ministro.

— E em que ano estamos? — George não pareceu muito preocupado.

— Mil novecentos e noventa e oito — respondeu Alice prontamente. Sentia-se confiante a respeito daquilo. O bebé nasceria no ano seguinte, em 1999.

Jane tapou a boca com a mão. George ia para falar, mas Jane interrompeu-o. Ela pousou uma mão no ombro de Alice e olhou para ela atentamente. Os olhos estavam arregalados de excitação. Pequenas bolas de rímel pairavam sobre as extremidades das pestanas. A combinação de desodorizante de alfazema com o hálito a alho era bastante avassaladora.

— Quantos anos tens, Alice?

— Tenho vinte e nove anos, Jane — Alice estava irritada com o tom dramático de Jane. Onde queria ela chegar? — A mesma idade que tu.

Jane endireitou-se e olhou para George Clooney triunfante.

— Acabei de receber um convite para o quadragésimo aniversário dela — disse.

Aquele foi o dia em que Alice Mary Love foi ao ginásio e fez desaparecer por acaso uma década da sua vida.”

 

 

 

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Olá juventude dos 0 aos 100, bom fim-de-semana e vamos lá apresentar o tema de Abril no The Bibliophile Club, isto depois de um mês de Março de extremos: o livro que escolhi revelou-se uma desilusão, mas o desafio lançado pelas meninas de falar sobre as mulheres da nossa vida, embora tenha sido desgastante emocionalmente, foi muito bom e fiquei contente com o resultado dos textos, e com os comentários e apoio que recebi. Muito obrigado!

Agora em Abril voltamos “à normalidade” e com um tema que adoro: Thrillers e Mistérios!

Sendo dos meus favoritos o leque de escolha era enorme, mas quando nos comentários a Marisa do blogue Little Dream sugeriu a Saga Millennium de Stieg Larsson, fez-se luz e decidi logo que ia começar finalmente esta saga que andei cheio de pressa para a comprar (e ainda nem havia o quinto livro) e sabe-se lá porquê nunca a comecei. É isto o que mais me faz acompanhar este grupo literário, a interacção entre nós, entre os nossos gostos e, no meu caso, poder ir revisitar o fundo da estante em busca daqueles livros que já esperam há demasiado tempo para serem lidos. Vamos então à sinopse do primeiro livro da saga, “Os Homens que Odeiam as Mulheres”, edição D. Quixote.

 

 

SINOPSE

“O jornalista de economia Mikael Blomkvist precisa de uma pausa. Acabou de ser julgado por difamação ao financeiro Hans-Erik Wennerstrom e condenado a três meses de prisão. Decide afastar-se temporariamente das suas funções na revista Millennium. Na mesma altura, é encarregado de uma missão invulgar. Henrik Vanger, em tempos um dos mais importantes industriais da Suécia, quer que Mikael Blomkvist escreva a história da família Vanger. Mas é óbvio que a história da família é apenas uma capa para a verdadeira missão de Blomkvist: descobrir o que aconteceu à sobrinha-neta de Vanger, que desapareceu sem deixar rasto há quase quarenta anos. Algo que Henrik Vanger nunca pôde esquecer. Blomkvist aceita a missão com relutância e recorre à ajuda da jovem Lisbeth Salander. Uma rapariga complicada, com tatuagens e piercings, mas também uma hacker de excepção. Juntos, Mikael Blomkvist e Lisbeth Salander mergulham no passado profundo da família Vanger e encontram uma história mais sombria e sangrenta do que jamais poderiam imaginar.”

 

 

Com esta sinopse recheada de nomes estranhos e uma busca a um desaparecimento com quase quarenta anos, só posso esperar que daqui saia mais uma boa aventura, recheada de mistérios mesmo como eu gosto, até porque tenho os outros livros da saga a chorarem por serem lidos!

Devo começar esta leitura já neste fim-de-semana e estou ansioso para ver se este livro corresponde a todas as expectativas e recomendações que tenho lido sobre ele. E vocês, que livro escolheram para este mês?! Já leram a saga Millennium?! Qual a vossa opinião?!

Mais uma vez obrigado, comentem e até à próxima!

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Olá a todos, hoje é dia de iniciar, finalmente, o “José Rodrigues dos Santos Challenge”. Não tem sido fácil conciliar esta minha ideia com outras leituras e clubes literários, mas espero a partir de agora, conseguir ler mais livros e assim ir completando este desafio.

Não sei se já disse (pelo menos nunca mais de uma centena de vezes) foi graças a José Rodrigues dos Santos e ao seu “Mão do Diabo” que toda a minha paixão pela leitura nasceu. Sendo assim este desafio serve para diminuir a minha lista de livros dele que ainda estão por ler.

Comecemos então com este “Sinal de Vida”, edição já habitual da Gradiva. Nesta história voltamos a acompanhar mais uma aventura do nosso Tomás Noronha, que começa exactamente onde terminara “Vaticanum”. Foi uma ligação simples, mas muito inteligente, ainda por cima quando todo o tema desta nova história se foca na vida extraterrestre.

 

“Percebendo a pergunta, o responsável do Allan Telescope Array bebericou um trago do café que trazia no mug e respirou fundo.

“Ah, eles.

“Sim, onde estão? O universo é enorme e muito antigo. Mais de treze mil milhões de anos. Ora aqui na Terra a vida precisou de uns três a quatro mil milhões de anos para desenvolver uma inteligência tecnológica. Uns dez mil anos bastaram para os seres humanos chegarem à Lua. A tecnologia está sempre a avançar e o progresso tem uma taxa de crescimento exponencial. Há um século as pessoas ainda usavam o telégrafo, a principal fonte de energia era a lenha e o carvão, e viajava-se a cavalo ou em coches. Agora estamos em rede pela Internet, temos telemóveis com GPS, há cidades com milhões de pessoas iluminadas por energia nuclear e vamos para toda a parte de automóvel ou de avião. Se isto tudo aconteceu num único século, Leo, diga-me como será daqui a um milénio ou um milhão de anos.”

“O céu é o limite.”

“O desenvolvimento será incrível. Ter-nos-emos decerto já espalhado por algumas estrelas. Se ainda existir, daqui a um milhão de anos a humanidade será irreconhecível.”

“Isso é garantido. E então?”

“Pense na dimensão do universo, Leo. Só a nossa galáxia tem quatrocentos mil milhões de estrelas, talvez mais, e é apenas uma entre milhões e milhões de galáxias. Partindo do princípio da mediocridade, não somos especiais e a nossa situação é comum no universo, portanto deve haver milhões e milhões de planetas com vida por toda a parte. Imaginemos, numa estimativa muitíssimo conservadora, uns dez ou vinte mil planetas onde a vida apareceu e se desenvolveu como na Terra, só que um ou dois mil milhões de anos mais cedo que aqui. Em quatro mil milhões de anos essa vida pode evoluir no sentido de uma espécie capaz de viajar no espaço, exatamente como nós. No fim de contas, todos os pardais nascem num ninho mas vem o dia em que o abandonam. Chegará o momento em que essas civilizações extraterrestres sairão dos seus planetas, seja por mera curiosidade, seja porque esses planetas se tornarão inabitáveis como daqui a uns milhões inevitavelmente acontecerá à Terra. Estou certo?”

O rapaz andar a estudar a lição, pensou Leonard, divertido. Os dados factuais eram corretos e o raciocínio impecável.

“Certíssimo.”

“O que poderá fazer uma civilização que tenha mil milhões ou dois mil milhões de avanço sobre nós?”

“Bem… pode ir toda a parte, suponho eu. Com dois mil milhões de anos de avanço sobre nós, uma civilização extraterrestre tem decerto capacidade para desenvolver tecnologia formidável, tão avançada que a nós nos parecerá magia pura.”

 

 

 

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Olá a todos. Hoje venho falar da minha expectativa sobre o livro escolhido no Net Book Club para o mês de Abril. A votação este mês foi diferente e até tivemos que ir a segundo round para escolher o vencedor do mês: "Dez Anos Depois" de Liane Moriarty editado pela Editorial Presença. 

Antes de mais, dizer que tenho gostado de participar neste clube literário, embora nunca tenha participado na discussão no directo no Instagram! Existem duas razões para isso: ou estou a trabalhar ou estou cansado do trabalho e estou a dormir! Eu sei que isto para a Cláudia d'A mulher que ama livros (mãe de quatro, dois deles gémeos de meses) não é desculpa, mas eu sou homem, dêem-me um desconto! Mas tirando isto, tenho gostado dos livros que temos escolhido, parecem sempre superinteressantes, mas por alguma razão, ainda não houve nenhum que me arrebatasse (nota: eu não participei desde o início), talvez até pela expectativa ficar demasiado alta com as sinopses que me deixam logo com água na boca... vamos ver como corre este mês! Comecemos então pela sinopse.

 

SINOPSE: 

 

Quando, aos 39 anos, Alice Love dá uma aparatosa queda numa aula de dança, a última década da sua vida apaga-se-lhe por completo da memória. Sente-se novamente com 29 anos, apaixonadíssima pelo marido e à espera do primeiro filho. Mas, claro, há um pequeno problema: tudo isso se passou há dez anos. 

No presente, Alice é mãe de três filhos, enfrenta um difícil processo de divórcio e está de relações cortadas com a irmã, que adora. À medida que recupera as lembranças do passado, Alice vê-se confrontada com as escolhas erradas que fez ao longo de toda uma década e com os seus resultados. 

Conseguirá ela reencontrar a mulher que foi na fase mais feliz da sua vida? 
Um romance que nos leva a reflectir sobre o que aconteceria se, de repente, perdêssemos os dez anos mais importantes da nossa existência.

 

EXPECTATIVA:

 

Não é um tema tão abrangente como em "Imortalidade" ou tão extremo como no  "VOX", mas ainda fiquei logo a pensar como seria se isto fosse comigo, imaginem: se por uma razão qualquer perdessem todas as vossas memórias dos últimos dez anos... Se calhar alguns de nós não se importariam de apagar uma década da memória, mas Alice passa de uma mãe de três filhos e um processo de divórcio para a Alice da década anterior ainda muito apaixonada pelo seu marido e grávida do seu primeiro rebento! Em dez anos muita coisa muda e espero que este livro me mantenha colado à nova vida desta mulher na actualidade com uma memória dez anos atrasada. E vocês gostaram da premissa do livro?! Já leram?! Vão participar?! Comentem aí e até à próxima! 

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Olá a todos. Hoje venho falar da minha última leitura do mês de Março, o meu primeiro livro de Jo Nesbo, “Sangue na Neve”, edição D. Quixote.

Esta história é relata por um assassino, que se vê metido numa grande confusão, quando o seu chefe o contrata para mais um trabalho. Até aqui nada de estranho, não fosse o patrão ter encomendado a morte da própria mulher! Como se isso não bastasse Olav, o nosso assassino, decide não fazer aquilo para que foi contratado, quer dizer foi contratado para matar e matou, não matou foi o alvo pretendido, a mulher do patrão, por quem se apaixonou.

 

“A neve dançava como algodão à luz dos postes de iluminação. Sem rum, incapaz de decidir se queria elevar-se ou cair, deixando-se simplesmente conduzir pelo vento infernal e gelado que varria a grande escuridão que envolvia a fiorde de Oslo. Juntos giraram, vento e neve, rodopiando sem parar, nos espaços escuros entre os armazéns do cais, todos fechados à noite. Até que o vento se fartou e largou a parceira de dança junto à parede. Aí, a neve seca e varrida pelo vento, assentava em redor dos sapatos do homem que eu acabara de atingir a tiro no peito e no pescoço.”

 

 

 

 

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Olá a todos. Hoje venho falar do livro do mês de Março no Net Book Club, “Imortalidade” de Rachel Heng, edição Bertrand Editora. A premissa do livro é simples: num futuro próximo (talvez não tão próximo assim) em que a esperança de vida é de 300 anos e a nossa personagem principal é abençoada para em conjunto com o seu marido atingir a imortalidade.

 

“Só para ver, qual é o problema? Fora isso que a mãe dissera quando chegaram a Nova Iorque e passaram pela clínica. Por isso, fizeram os testes. Vieram a saber que ambas tinham bons genes, genes excelentes, tão bons que eram elegíveis para todos os tipos de tratamentos subsidiados. Elas riram-se. Não era par isso que lá estavam, não, elas estavam ali pela música. A mãe para cantar, Anja para tocar violino.

Mas a ideia de viver para sempre era uma doença que ardia lentamente e que a mãe tinha apanhado a partir do momento em que tinham feito aqueles testes. Começou a viver como os americanos, deixando de comer carne e até mesmo peixe, a sua corpulência robusta diminuindo para uma magreza eficiente e controlada no ginásio. Parou de correr por causa do que isso lhe fazia aos joelhos. Finalmente, começou a cantar cada vez menos porque a avisaram sobre o coração, de como era o elo mais fraco numa composição genética imaculada. Havia também toda aquela produção excessiva de cortisol envolvida no facto de ser música. Riscos do ofício, como lhe chamavam.

A mãe tornou-se obcecada com os melhoramentos e depois com as reparações. Primeiro foi a pele, reenxertos de quinze em quinze meses, depois o sangue, fortificado por partículas microscópicas inteligentes, nanorrobôs que limpavam, reparavam e regeneravam. No dia em que lhe substituíram o coração por uma bomba sintética de alta potência, Anja praticou no violino até os dedos ficarem púrpura e em carne viva. Na clínica, observou atentamente a cara da mãe à procura de pistas de como aquilo viria a acabar.

Agora sabia, claro. Era assim. As duas neste quarto vazio e húmido, com nada, excetuando uns quantos objetos, que lhes pertencesse. Os tratamentos só eram subsidiados até uma dada altura, tornando-se cada vez mais caros quando a mãe atingiu o seu tempo de vista previsto, até não lhes restar nada. Agora, tudo o que restava era esperar.”