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Carola Ponto e Vírgula

Carola Ponto e Vírgula

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É verdade meus amigos! Sintam orgulho! O Bola de Ouro da Bisbilhotice Online Desportiva é português! E voltou ontem ao seu país que o viu nascer para ser… preso e interrogado?!

Rui Pinto de seu nome, o jovem prodígio informático foi ontem notícia e tema de debate em todos os canais informativos. Teve honras de acompanhamentos em directo. A cada passo que dava, lá vinha a CMtv com “Notícia de última hora”: Rui Pinto já respira em território nacional; Rui Pinto já fez o seu primeiro xixi desde que foi extraditado; momento histórico, Rui Pinto acabou de franzir um sobrolho, espectacular. Isto tudo enquanto interrompem constantemente os convidados em estúdio que vão discutindo assuntos ligeiros, como se as informações obtidas de forma ilegal, podem ser usadas para apanhar aqueles a quem Rui Pinto ousou bisbilhotar os negócios mais obscuros. São decisões que uma redacção tem que tomar… uma coisa é certa: isto se fosse com o Santana Lopes a coisa não ficava assim!

 

 

 

Acho que, cada vez mais, temos de ter uma mentalidade aberta para este tipo de jornalismo e informação. Temos o melhor do mundo a chafurdar os negócios e esquemas, nada ilícitos, no mundo do Futebol e como é que o tratamos?! Como um criminoso! Não me parece a forma mais correcta de tratar ninguém, quanto mais os nossos, aqueles que elevam a nossa bandeira lá bem no alto!

Eu sei que não é fácil ter que explicar como é que um jovem destes chega e descobre coisas que os outros que são pagos para investigar não conseguem. Se não conseguem, se calhar o melhor seria contratarem o Rui Pinto para um Workshop. Se o Workshop for muito caro tenho dois livros para vocês aprenderem como é que se investiga como deve ser: “Fifa Máfia” de Thomas Kistner e “A Orgia do Poder” de Pippo Russo. São livros que dão para perceber a pureza do desporto-rei: a corrupção!

Com isto, só quero dizer que o Rui Pinto deve ser julgado e condenado pelos crimes que possa ter cometido, mas que também deviam ser investigados, julgados e condenados todos aqueles que as informações recolhidas pelo Rui Pinto mostrem que também cometeram crimes!

É que sempre ouvi dizer: “ladrão que rouba ladrão tem cem anos de perdão” (eu só ainda não percebi qual é o ladrão que a justiça acha ser o Rui Pinto)!

 

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         Com um autor chamado Pippo Russo chegamos logo à conclusão de que se trata de um livro sobre… Futebol russo! Não?! É tão óbvio que nem sei em que é que vocês poderiam estar a pensar quando o autor começa com Pi… AHHH... (como o Tonecas) já percebi! Eu em modo Tonecas e vocês em modo Fernando Rocha!

         Mas realmente “A Orgia do Poder” trata de futebol russo, mas pouco. Maioritariamente fala-se de futebol, não o desporto-rei que move nações, mas de futebol, o negócio que movimenta milhões.

         E um dos maiores mestres, se não mesmo o maior, deste negócio é Jorge Mendes, o superagente. Este livro segue os caminhos ao longo da carreira do empresário de jogadores de futebol e a sua ascensão ao topo do futebol mundial. Atenção, não é uma biografia, muito longe disso…

         Aquilo que mais gostei na obra deste professor de Sociologia, mas que enquanto jornalista se tem especializado na economia paralela do futebol mundial, foi a apresentação dos números reais e a leitura profunda de quem realmente lucra mais com as transferências. Pensamos todos que os clubes associados ao superagente lucram muito. Sim movimentam muito dinheiro e na imprensa aparecem uns números bonitos que alimentam o ego dos grandes clubes vendedores, mas Pippo Russo vai ao fundo da questão seguindo o rasto do dinheiro.

         Também segue os clubes onde o empresário português exerce maior influência seja nível nacional, onde se destacam os três grandes, Sporting de Braga e Rio Ave, como também a nível mundial onde Manchester United, Chelsea, Mónaco, PSG, Real Madrid, Barcelona são os seus maiores clientes.

         Com as informações dadas pelo autor começamos a perceber algumas transferências bem estranhas, até como autênticos flops saltam de um clube para outro e ainda conseguem gerar lucros para quem se acaba de desfazer de um problema.

         Isto foi o que gostei.

         O que não gostei foi a forma como menospreza o valor dos grandes jogadores (o mais óbvio de todos, CR7).

         Sobre os jogadores maus/medianos arrasa, e bem, quer os valores pagos quer a sua falta de qualidade.

         Também não vê, ou não quer ver, que atualmente o potencial paga-se tanto ou mais que o valor real do jogador. Quanto dessa especulação do potencial é culpa de Jorge Mendes?! Não sei, mas é assim que o mercado está e o superagente não é o único a beneficiar disso.

         Resumindo é um bom livro documental que explora a fundo os números e as movimentações no mercado futebolístico e abre os olhos até àqueles que se dizem mais atentos a este fenómeno no futebol.