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Carola Ponto e Vírgula

Carola Ponto e Vírgula

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Olá pessoal, cá estou eu pronto para vos trazer mais uma opinião. Desta vez para o The Bibliophile Club e que tinha como tema para Setembro, Livros Banidos. Desde logo foi muito interessante ver a quantidade de livros que, por alguma razão e em algum país, acabaram banidos e retirados das prateleiras. Eu sei, não há razão nenhuma, para que um livro seja retirado ou proibido de ser vendido e lido, mas isto também demonstra a sorte que temos por não existir (acredito eu) qualquer limitação sobre as nossas editoras para publicarem seja o que for. Veja-se o que aconteceu no Brasil num grande evento literário recentemente, mesmo a esta distância foi muito mau e resta-nos pensar que melhores dias virão e dizer a todos os que vivem no Brasil para reclamarem o seu direito à liberdade de expressão. Ordem e Progresso, certo?!

 

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Voltando ao nosso livro do mês, acho que assenta que nem uma luva no tema em questão: “1984” de George Orwell, editado em Portugal pela Antígona. Desde já convém olhar para este livro e compreender que tendo sido editado originalmente em 1949, é uma distopia que se mantem muito actual e isso, além de assustador, deixa-nos com a capacidade de perceber as semelhanças com algumas coisas que já vemos nos dias de hoje, como o avanço tecnológico permitiu controlar cada passo que damos, as guerras de poder no mundo que nunca param de existir e até a manipulação da informação que vemos nos dias de hoje. 

 

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Temos então Winston, um funcionário do Partido, mas que se questiona de tal forma se tudo aquilo faz sentido, que fica fácil de prever que basicamente está à procura de problemas. E o estar à procura de problemas é tão relativo como para poder escrever num papel sem que o ecrã tecnológico, telecrã, recolha a informação, tem que se esconder num canto.

O controle do Partido é tão grande que até o vocabulário utilizado eles reduzem para que com cada vez menos palavras disponíveis, maiores são as dificuldades em descrever correctamente uma situação ou sentimento. Sentimentos e afectos, também são coisas em vias de extinção… no livro, na nossa realidade ainda não chegámos a esse ponto de sermos insensíveis, pois não?!

 

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Foi uma leitura muito densa, cansativa (outra vez, eu a queixar-me de a letra ser pequena), mas ainda assim adoro este tipo de livros, que mexem comigo, em que passo tanto tempo a lê-lo como a pensar e analisar as diferenças e semelhanças entre a ficção e a realidade, a divagar entre os erros que cometemos no passado e que, pelos vistos, teimamos em repeti-los no futuro.

 

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Embora não tenha um final feliz, adorei a forma como acaba e nos mostra que, infelizmente, muitas vezes é o “sistema” quem ganha. Dei 4 estrelas no Goodreads e recomendo esta leitura a toda a gente.

Digam-me, quem já leu este livro? E outro livro deste autor, já leram? E como correram essas leituras o mês passado, qual foi o vosso favorito de Setembro? Quem participa no The Bibliophile Club, que livro escolheram relacionado com este tema? Como sempre, comentem, muito obrigado por tudo e boas leituras.

 

 

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