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Carola Ponto e Vírgula

Carola Ponto e Vírgula

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Olá a todos, bem-vindos a mais uma sexta-feira de opinião sobre um livro aqui no blogue. Este livro apareceu na minha lista de desejos enquanto via uns vídeos do seu autor no YouTube. Além de ter demorado mais de um mês a chegar ainda foi a razão para ter deixado o “Vaticanum” em espera.

O autor chama-se Neil Strauss é jornalista e, obviamente, escritor. O livro chama-se “The Game” e é o seu relato de como foram os seus dias enquanto “artista de engate”. Devo dizer eu quando comprei o livro já tinha pesquisado sobre o seu conteúdo e lido algumas opiniões sobre ele, isto porque eu não queria um guia de como “engatar” o sexo oposto (até porque para isso preciso mesmo é dum milagre). Tinha mesmo curiosidade por saber quem é que são este tipo de pessoas, principalmente porque nos vídeos que vi de Neil, ele pareceu-me uma pessoa inteligente, bem longe da ideia pré-concebida dos “engatatões” que habitualmente vemos por aí.

 

Este livro fez-me lembrar “O Fim da Inocência” de Francisco Salgueiro, que até já virou filme. Para quem não leu ou viu o filme, “O Fim da Inocência” é basicamente um diário de uma miúda que se perde para cumprir os padrões sexuais que andam à sua volta, com álcool, drogas e violência à mistura. Um relato bastante cru e, infelizmente, real dos abismos em que caem os nossos jovens!

“The Game” é outro lado da forma como funcionam os relacionamentos. Aqui os “artistas” relatam como é que qualquer maltrapilha pode conquistar a mulher dos seus sonhos. Desengane-se quem pensa que vai aprender as técnicas que Style e Mystery usaram param se tornarem dos “engatatões” mais seguidos da América. Neil Strauss é Style e este livro é também ele um diário de como foi a sua vida a partir do momento em que começou a seguir os artistas de engate através dum fórum na internet. Tudo tem um nome de código: eles, elas, as técnicas usadas.

Entre sócios, Workshops (sim de engate), discotecas, viagens e até uma Mansão, tudo isto se passou na vida do autor num curto espaço de tempo. Foi estranho ler tudo isto, estes artistas através de técnicas quase sempre iguais, conseguiam os mesmos resultados em qualquer tipo de mulher, independentemente de serem casadas, ricas, famosas. Às tantas o autor já cheio de confiança decide usar aquilo que aprendera numa entrevista que iria fazer a Britney Spears… e não é que foi ela que lhe pediu a ele para trocarem números de telefone!

Estranho foi também perceber que no meio de tanto homem de sucesso com o sexo feminino, a auto-estima de alguns continuava baixa ao ponto da depressão. Tinham as mulheres que queriam, sexo ao estalar dos dedos, sucesso e ainda assim faltava-lhes algo como a todos quantos sigam aquelas pisadas: significado para a vida. Tudo aquilo que conquistaram foi bom para o ego, mas para a felicidade contribuiu muito pouco. Foi isso que o autor acabou por perceber ao ver aquela mansão e aqueles homens cada vez mais perdidos.

Foi um livro que serviu o propósito pelo qual foi comprado: mostrar-me como quase tudo tem uma ciência e uma arte, até o engate. Achei o livro demasiado extenso, este diário com menos duzentas páginas ainda ficaria tudo dito. Este livro pode não ser aconselhado às mulheres, a não ser que queiram saber alguns truques que as fazem cair nos braços, e na cama, destes “engatatões profissionais”!