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Carola Ponto e Vírgula

Carola Ponto e Vírgula

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         Aí está ela finalmente, a bela sexta-feira! Estava difícil! Difícil também estava a conclusão deste livro. Não sei se convosco acontece, mas comigo, de vez em quando aparece um livro que pode nem ser melhor do que aquele que estou a ler, mas como é “fresco” e me deixa mais curioso, começo a lê-lo e deixo o anterior de lado. Quem teve esse azar desta vez foi “Vaticanum” de José Rodrigues dos Santos que se viu ultrapassado por “The Game” de Neil Strauss. Dois livros completamente opostos: um relata a vida de um artista de engate, o outro conta uma história em torno do Papa e do Vaticano.

         Desde a minha apresentação aqui no blogue que tenho dito que José Rodrigues dos Santos foi o responsável pelo despertar, tardio, do meu gosto pela leitura. Gosto da forma como consegue construir uma boa história com acção, suspense, medo e ainda usa factos verídicos para tornar tudo muito mais real.

 

“O Vaticano viu-se enredado numa rede de negócios muito questionáveis. Com dinheiro que se supõe ser da mafia e usando o banco do Vaticano como máquina de lavar, Sindona criou uma holding que serviu para adquirir uma série de bancos, como a Banca Privata e a Banca Unione em Itália, e na Suíça o Amincor de Zurique e o Banque de Financement de Genebra, do qual a Santa Sé detinha um terço. Esse aliás tornou-se o modelo que Sindona e o Vaticano usaram nas aquisições de bancos. Uma fatia ia para um e a outra ia para o outro. Uma vez com os bancos nas mãos, Sindona começava a transferir para o banco do Vaticano verbas das contas dos depositantes sem o conhecimento dos respetivos titulares.”

 

         Tomás Noronha volta para mais uma aventura, sempre acidental, desta vez no Vaticano e enquanto trabalha nas catacumbas da Basílica de São Pedro. Como já é hábito a história vai-nos informando de factos verídicos surpreendentes enquanto nos deixa presos na história e nos passos do criptanalista português para resolver as charadas e os problemas que daí advêm.

         Desta vez é o rapto do Papa pelo estado islâmico e a sua decapitação à meia-noite. A tarefa nunca seria fácil, mas com um prazo tão reduzido tudo e todos ao seu redor ficam muito mais agitados, tal a gravidade e as possíveis consequências desse assassínio do chefe máximo da Igreja católica.

         O Vaticano é, por assim dizer, a terra das contradições. Começamos logo a menos de centena e meia de páginas lidas a saber que nessa terra santa há um forte contrabando de tabaco (isento de IVA). Depois e esta afecta as minhas pretensões de ser reconhecido santo: é preciso pagar para ser santo!

 

“Foi assim que adquiriu à Santa Sé a Società Generale Immobiliare ao dobro do preço de mercado e foi também assim que comprou a fatia da Igreja Condotte d’Acqua, a companhia de águas de Roma, e a Sereno, uma empresa farmacêutica que pertencia ao Vaticano e que fabricava pílulas contracetivas.”

         Depois lá mais para a frente, com o avançar da investigação, todas as atenções ficam centradas no Banco do Vaticano e quanto mais se investiga, mais informações são desenterradas para surpresa de quem lê.

         Como já esperava, foi um livro que gostei bastante, apenas faltando dar uma razão digna desse nome para a traição que origina o rapto do Papa. Mais uma bela leitura que recomendo a quem gosta deste tipo de “romance”. Bom fim de semana e boas leituras.

 

“João Paulo II não queria saber se o dinheiro vinha dos negócios de droga e prostituição da mafia ou ser era roubado aos depositantes da Banca Privata ou do Banco Ambrosiano ou se vinha de qualquer outra fonte ilícita, imoral ou ilegal. O que ele queria era o dinheiro. Ponto Final. Isso só pode ser porque não estava inocente nesta história toda.”